Investir na prevenção de doenças reduz gastos com gestão de saúde nas empresas, aponta especialista

publicado 02/09/2016 08h50, última modificação 02/09/2016 08h50
São Paulo – Para Diretora da Accenture, empresas devem incentivar funcionários a levar vida mais saudável
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Para Luciane Infanti, Diretora de Estratégia para a Saúde da Accenture LATAM, um dos grandes problemas da gestão de saúde é a questão cultural de realizar apenas o tratamento de uma doença, ignorando a parte de prevenção. A especialista, que participou da reunião do comitê de Gestão de Pessoas da Amcham - São Paulo nesta quinta-feira, 01/09, acredita que a empresa tem um papel importante nessa mudança de hábito, no sentido de incentivar seus colaboradores a cuidarem melhor da saúde. “Na maior parte do tempo, as pessoas estão no ambiente de trabalho. Portanto, as empresas possuem um enorme poder de conscientizar seus funcionários sobre as questões de saúde”, comentou durante o encontro.

Para Infanti, é necessário que tanto a empresa quanto o funcionário entendam como deve ser feito o acesso ao sistema de saúde. "O indivíduo se sente perdido no sistema [de saúde]. O empregador, na entrega de uma carteirinha de saúde ou senha de acesso, não terceiriza a sua capacidade de ajudar seu funcionário para que ele use adequadamente esse sistema para ser atendido corretamente", aponta.

A Suzano Papel e Celulose investiu na questão do incentivo a uma vida mais saudável com seus funcionários. Carlos Alberto Griner, Diretor executivo de Recursos Humanos da companhia, citou o Programa Faz Bem, de estímulo à alimentação saudável e exercícios, além da instalação de vending machines com comidas saudáveis nas fábricas. Essa foi uma das ações que a empresa considerou essencial após fazer um diagnóstico da gestão da saúde e detectar uma série de necessidades. "Tivemos que entrar na questão da inteligência das informações porque antes os dados chegavam atrasados. Depois conseguimos montar um diagnóstico profundo e tomar as atitudes necessárias", explicou.

Griner citou ainda o acompanhamento de internações, remoção área para rede própria em casos mais graves, gestão de pacientes crônicos e a contratação de médicos da empresa como consultores. "Contratamos médicos qualificados para orientar os funcionários que buscam uma segunda opinião sobre algum problema. Em alguns casos, chegamos a evitar cirurgias desnecessárias", explicou. Todas essas ações significaram uma economia de 28 milhões de reais na gestão de saúde da empresa em cinco anos.

De acordo com Rosilane Purceti, da Sanofi, a contratação de um médico consultor tem um papel fundamental na construção da relação de confiança entre o funcionário e o empregador. "Temos um papel de valorizar a saúde e vejo o resultado desse trabalho. Criar uma relação que com o médico da empresa têm gerado um valor incrível para nós", compartilhou a especialista.

Benefício Flexível

Para Infanti, uma opção é a adoção do benefício flexível - quando os próprios colaboradores selecionam qual plano de saúde é mais adequado a suas necessidades. "O benefício flexível me dá autonomia para eu decidir que caminho seguir, desde que seja com informação e qualificação. Temos que sair da agenda do risco e do custo da saúde e caminhar para o que faço pra ser saudável. O benefício flexível vai chegar quando soubermos do que precisamos", explica.

 

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