Jovem quer se engajar em causa da empresa e atingir um equilíbrio entre vida e trabalho

por gustavo_galvao — publicado 07/06/2013 16h56, última modificação 07/06/2013 16h56
São Paulo – Representantes da AIESEC e da startup 99jobs discutiram perfil dos jovens talentos durante comitê
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Um desafio a ser compreendido pelo mundo corporativo é que, antes de decidir se comprometer com as empresas, a atual geração de jovens talentos é engajada consigo e com o mundo. Foi o que discutiram representantes da AIESEC (ONG com mais de cinco mil jovens voluntários no Brasil) e da 99jobs, startup que pretende ser a ponte entre esses novos profissionais e as companhias.

Eles estiveram no Comitê Estratégico de Gestão de Pessoas da Amcham-São Paulo, que aconteceu na quinta-feira (06/05).

Representantes da AIESEC, que tem 86 mil membros em 110 países (dos quais, cinco mil estão no Brasil), falaram sobre uma pesquisa periódica da organização que traça o perfil de estudantes ou recém-formados entre 18 e 24 anos. Com o nome de “Jovem Brasil”, foi respondida por cerca de 3.400 jovens brasileiros.

As informações coletadas permitiram identificar que a principal preocupação deles é buscar um alinhamento entre a vida pessoal e a vida profissional. “Meu sonho é encontrar o equilíbrio entre trabalho e prazer, atuando em prol da sociedade e do mundo e, ainda assim, conseguir lucros a partir desta atividade”, respondeu um universitário consultado durante a pesquisa.

Participar e crescer

Além das oportunidades de intercâmbio, a geração que está entrando no mercado agora não quer deixar de ter vida pessoal para ascender na carreira e ganhar dinheiro. “Hoje, para muitos deles é uma questão excludente o fato de eu não poder viver a minha vida para trabalhar na organização”, disse Caroline Tissot, diretora de Relações Públicas da AIESEC. 

A pesquisa mostrou que 56,71% dos jovens ainda preferem ser empregados, mas com uma diferença: em cargos de gestão. Por isso, eles pedem que as companhias ofereçam um desenvolvimento constante, por meio da capacitação e melhorias na convivência com a equipe, além de feebacks e avaliações constantes. Ainda assim, o trabalho por conta própria foi a alternativa de 31,56% deles, o que indica um interesse pelo empreendedorismo.

Apesar das oportunidades no setor social, 51,79% responderam que se interessam por trabalhar no setor privado e 22,93% no setor público. E, sobre o trabalho dentro das empresas, o destaque foi a importância de compreender a causa da empresa e o papel que está desempenhando para o crescimento dela. “Como interfiro no objetivo final da organização? Seja em uma ligação que eu preciso fazer todo dia ou uma reunião de vendas, tenho que entender que eu também contribuo”, indagou Tissot.

Lição de casa

A própria AIESEC pretende seguir o modelo apontado pela pesquisa. Em vez de inúmeras dinâmicas e provas online de lógica, a organização realiza atualmente apenas entrevistas com os candidatos. “Nem pedimos currículo, apenas avaliamos em entrevistas cinco competências: empreendedorismo, responsabilidade social, inteligência emocional, visão global e aprendizado pró-ativo, explica Anamaíra Spaggiari, gerente de desenvolvimento organizacional da entidade.

Em poucos meses, os profissionais que atuam na AIESEC podem se tornar gestores e coordenar equipes com dezenas de pessoas. Com o oferecimento de novos cargos e experiências de intercâmbio em outros países, a organização acredita no preparo desses jovens. 

Para avaliar se realmente isso está acontecendo, a organização promove uma pesquisa com as opiniões dos cerca de 1.200 membros voluntários no Brasil, que possuem entre 18 e 30 anos. 85% disse se sentir muito conectado com a organização e 70% valorizam a experiência de trabalho na AIESEC. Vale lembrar que um elemento importante para a renovação dos funcionários e um plano curto de trabalho, já que 50% dos profissionais pretendem ficar até um ano na ONG.

 

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