Liderança não depende de ninguém além de você mesmo, garante psicólogo

por marcel_gugoni — publicado 17/02/2012 09h41, última modificação 17/02/2012 09h41
Marcel Gugoni
São Paulo – Iniciativa e a autonomia são primordiais para alavancar a carreira e fazer trabalho “nota 10”.

Ninguém precisa ser chefe para ser líder. É com máximas como essa que o psicólogo Peter Barth arranca sorrisos e olhares de dúvidas ao falar sobre carreira para uma plateia cheia de mulheres. Ele diz que a iniciativa e a autonomia são primordiais para alavancar a carreira e, por isso, a liderança não depende dos outros, mas de você mesmo. 

“No conceito hierárquico, o colaborador fica esperando o chefe dar uma ordem para ele executar”, afirma. “O papel do chefe é planejar, é dar a ordem, mas o colaborador é uma pessoa pensante que não precisa esperar o chefe pedir para fazer alguma coisa. O segredo é saber o que fazer por conta própria.” 

O especialista em psicologia organizacional participou nesta quarta-feira (16/02) do comitê de Secretariado na Amcham-São Paulo que debateu o tema “Autoliderança, um desafio para o crescimento profissional”. 

Barth não prega a anarquia ou o desprendimento das regras da companhia. “O indivíduo dentro de uma empresa deve assumir a iniciativa e a liderança, independentemente de ser chefe ou ter cargo [de liderança] formal”, analisa. “Liderar independe do cargo. Você pode liderar até o seu chefe.” 

Isso porque, para ele, os bons chefes não são aqueles que somente mandam os outros fazerem, mas que dão subsídios para que a equipe cresça como um todo. “É do interesse do chefe informar claramente os objetivos e metas da organização, por isso não temos que esperar por ele para começar a trabalhar. Pergunte a ele como fazer o trabalho ‘nota 10’, porque é essa a nota que ele quer que você tire no seu trabalho.” 

Questionado se a autoliderança pode se tornar tão exacerbada diante de um processo de ascensão hierárquica a ponto de levar à tirania, ele respondeu: “O papel do líder é contribuir para o sucesso daqueles que lidera. Ou a pessoa sabe seus limites ou alguém vai ter de o controlar.” 

Competência e motivação 

Barth nota que, no caminho da autoliderança, todo profissional deve saber em qual estágio organizacional se encontra. Esse nível depende diretamente dos níveis de competência e empenho. “Competência são os conhecimentos que você tem sobre alguma coisa, a bagagem cultural e técnica, a habilidade para executar um serviço”, afirma. “O empenho é a motivação, o interesse, o entusiasmo e a autoconfiança”, completa. 

Ele mostra que diferentes doses de competência e empenho compõem quatro estágios de uma carreira. O principiante empolgado não conhece muita coisa, mas tem motivação – é uma mistura de pouca competência e muito empenho. “Há o aprendiz decepcionado, que viu como era o trabalho e desanimou; e o colaborador hesitante que até sabe fazer, mas não tem autoconfiança para produzir sozinho”, ilustrou em referência a outras fases possíveis. 

“O último estágio é o do realizador autoconfiante que sabe o que fazer e está comprometido e motivado”, diz. “Ele sozinho dá conta do recado”. E não precisa de orientação, seja do chefe ou do colega, porque sabe como conduzir os problemas e as tarefas do dia a dia. 

Autoavaliação e autocrítica 

Barth diz que, em algum momento, todos estivemos ou estaremos em um desses estágios – sendo que o último é o ideal para o profissional alcançar o sucesso na carreira. “Conhecer os pontos fortes e os fracos é uma habilidade que se descobre”, avalia. “As pessoas devem aprender a se autodiagnosticar. A partir do momento em que você sabe em qual das quatro etapas está, identifica se precisa de mais motivação ou mais conhecimento.” 

E isso só depende de nós, reforça ele. “Se eu não acredito que vou conseguir melhorar minha posição na empresa, não vou conseguir mesmo. Estou me derrotando antes de começar a tentar”, explica. 

“Muita gente se queixa de Deus e do mundo, mas usa isso como desculpa para não atingir seus objetivos. Quem é o responsável em primeiro lugar pelo meu próprio sucesso?”, questiona. “Eu mesmo”, diz, acompanhado por acenos positivos de cabeça das secretárias. 

“Achar que é impotente é se colocar sempre no papel de vítima”, critica. “Cada um tem que abandonar o papel de vitima. Para isso devemos ter objetivos claros, saber onde queremos chegar.” 

Dinheiro ou felicidade 

Muitos jovens escolhem a profissão depois de fazer uma pesquisa pelos melhores salários, optando pela carreira que paga mais, aponta o palestrante. “Tudo que fazemos só pelo dinheiro vem com pouca dedicação. O segredo do sucesso é achar o que você ama fazer.” 

O psicólogo, que é presidente da Intercultural, empresa especializada em programas de treinamento e desenvolvimento em Recursos Humanos, defende que os indivíduos deveriam escolher a carreira analisando três aspectos: competência, paixão e importância. Em outras palavras, algo que você saiba fazer, goste e que valha algum dinheiro. 

“Mesclar paixão e competência na tarefa, mas sem importância econômica a alguma empresa, é um hobby”, compara. “Paixão e importância sem competência indica que você é um principiante que precisa se desenvolver. Competência e importância sem paixão denotam um trabalho infeliz.” 

Ele diz que parte importante da autoliderança é achar esse caminho de convergência dos três aspectos. “Se você mostra ao seu chefe que tem competência para desempenhar bem as tarefas e compromisso de seguir aquela tarefa até o final, terá autonomia”, reflete. “Ninguém ganha autonomia. Ela é conquistada e negociada. Se você puder demonstrar que é capaz, responsável, consciente e comprometido, vai ter um trabalho ‘nota 10’.”

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