Mais de 66% dos conselhos administrativos não têm mulher, no Brasil

publicado 04/09/2013 16h12, última modificação 04/09/2013 16h12
São Paulo – Pesquisa do IBGC mapeou presença feminina na administração de empresas listadas
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As mulheres são minoria na alta administração das empresas de capital aberto, no mercado brasileiro. Um estudo do IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa) mostra que 66,3% dos conselhos administrativos não têm nenhuma mulher em seus acentos. Nesse quesito, o país está atrás de nações como China, Índia e Rússia.

O estudo “Mulheres em Conselhos de Companhias Abertas” analisou dados públicos de 454 empresas listadas que forneceram informações no formulário de referência, concedido pela BF&Bovespa. O trabalho foi discutido com os membros do comitê estratégico de Governança Corporativa da Amcham – São Paulo na quarta-feira (04/09).

Num total de 2.647 postos em conselhos analisados, 7,71% eram ocupados por profissionais do sexo feminino. Esse percentual é maior do que o verificado em 2010, quando eram 7,10%. Em 2011, havia 165 mulheres diferentes exercendo 204 posições nos conselhos de administração de 147 empresas.

Elas são maioria apenas em 2,64% dos conselhos. Na maior parte dos casos, as conselheiras compõem até 20% das cadeiras.

No mundo

“O tempo passa e o número de mulheres em conselho [no Brasil] não aumenta”, diz Anna Maria Guimarães, membro do conselho do IBGC, que já atuou em conselhos de cinco empresas brasileiras. No entanto, o assunto tem chamado atenção dos meios corporativos no mundo todo, ressalta.

As discussões globais envolvem a possibilidade de adoção de cotas para mulheres em conselhos administrativos. A Noruega foi a primeira a adotar a medida, em 2003, assegurando 40% dos acentos para conselheiras. A lei entrou em vigor cinco anos mais tarde. Em 2007, a França fez o mesmo, exigindo paridade salarial, para evitar que mulheres fossem nomeadas apenas por formalidade.

A lei espanhola, de 2007, segue em período de adaptação até 2015, assim como a holandesa. Bélgica e Itália estabeleceram cota de 33% em 2011. Austrália, Finlândia, Islândia, Alemanha e África do Sul também discutiram e algumas optaram por políticas como comply or explain (a empresa não é obrigada, mas deve se explicar por que não inseriu mulheres nos conselhos).

O estudo do IBGC cita uma comparação feita em 2011 pela organização norte-americana Catalyst, em que o Brasil está em posição intermediária em relação a outros países, no percentual de mulheres em conselhos.

A Noruega está em primeiro (39,5%), seguida por Suécia (27,3%), África do Sul (15,8%), Estados Unidos (15,7%), França (12,7%), Reino Unidos (12,5%) e Alemanha (11,2%). O Brasil (7,7%), seria o 14º em uma lista de 25, à frente de nações como Áustria, Méxio, Rússia e Índia.

Experiências

Para Anna, a experiência da Noruega não foi tão boa porque o país não possuía quantidade suficiente de mulheres preparadas para a função e precisou importá-las de outras nações. “Mas a Noruega foi pioneira e o mundo passou a ficar mais atento à diversidade na alta administração”, destaca. “Hoje, há mais cursos de governança e os processos foram aperfeiçoados”, acrescenta.

Ela diz que bons exemplos de mulheres na liderança, como o de Dilma Rousseff, na presidência da República, e o de Sandra Guerra, na presidência do IBGC, estimulam as organizações a evoluírem no tema. “Os exemplos mostram que há mulheres preparadas”, cita. “Um conselho com presença feminina é mais completo. Não é questão de saias e calças, mas de complementaridade”, defende.

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