Mais importante do que ter boas ideias, é saber como transformá-las em negócio

publicado 23/09/2015 10h39, última modificação 23/09/2015 10h39
São Paulo – Startups como VivaReal, QueroQuitar, Emprego Ligado e Saúde Controle reinventaram negócios
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Ter uma boa ideia para criar um negócio de sucesso não basta: também é preciso saber como fazer. Na opinião de Marcelo Nakagawa, professor de empreendedorismo do Insper, esse é um dos motivos de startups como VivaReal, QueroQuitar, Emprego Ligado e Saúde Controle terem encontrado espaço no mercado, seja melhorando ou reinventando atividades empresariais.

“O mais importante de uma ideia não é ela em si, mas a sua execução”, disse Nakagawa, que moderou o debate dos empreendedores no Encontro de Startups da Amcham – São Paulo, na terça-feira (22/9). No começo, é comum as pessoas terem medo de compartilhar suas ideias de negócio com medo de serem copiadas, mas Nakagawa disse que o diferencial está na prática.

“De cada três pessoas em que você conta a sua ideia, talvez duas pensem em executar e provavelmente só uma vai levar adiante. Mesmo que ela faça isso, será diferente”, opina o professor. “Não é a ideia que vai fazer a diferença e sim a capacidade de o time executá-la e adaptar o projeto para aquilo que o cliente quer.”

As startups

No caso do VivaReal, plataforma de anúncios de imóveis, crescer em um mercado dominado por grandes e tradicionais concorrentes foi possível com a ajuda das tecnologias de comunicação digital e agilidade na tomada de decisões. “Quando se é pequeno, fica mais rápido decidir, pois não temos tantas estruturas hierárquicas”, disse Brian Requarth, CEO do VivaReal.

Para aumentar rapidamente a base de clientes que queriam comprar e vender imóveis, o VivaReal não criou restrições de espaço nos anúncios. “Permitimos a divulgação de todos os imóveis e os conectamos aos interessados, sejam clientes finais, corretoras e incorporadoras. Nossa oferta de imóveis aumentou e, com ela, o tráfego de pessoas em nosso site”, conta Requarth.

No ramo de agência de empregos, Jacob Rosenbloom, CEO do Emprego Ligado, foi um dos empreendedores que inovou ao oferecer vagas por geolocalização. Atuando no segmento de trabalhadores operacionais de nível médio, a agência de Rosenbloom seleciona candidatos para as empresas cliente de acordo com o local de residência do candidato. Entre os clientes, constam empresas como Coca-Cola, Grand Hyatt e Habib’s.

Depois de preencher o cadastro, o candidato pode receber as vagas pelo smartphone e tem a opção de marcar a entrevista no horário mais conveniente. “Estamos dando ao trabalhador a oportunidade de trabalhar perto de sua casa e evitar que ele tenha que passar quatro horas por dia para se locomover ao seu trabalho”, exemplifica o CEO do Emprego Ligado.

 

Os novos negócios

Entre os novos negócios, figuram a QueroQuitar, de renegociação de dívidas, e a SaúdeControle, que presta serviços de arquivamento do histórico médico dos clientes. Marc Lahoud, diretor executivo da QueroQuitar, disse que a sua empresa oferece um modelo menos agressivo de cobrança aos clientes.

Pela internet, o cliente abre uma conta online com os títulos que quer renegociar e coloca os parâmetros – prazo, condições de pagamento – e os dados de contato. “Entramos em contato com ele para atualização dos registros e intermediamos a negociação entre o credor. Criamos um ambiente amigável que não esbarra em cobrança e negativação, e o cliente propõe uma solução online e paga diretamente ao credor na melhor condição possível”, descreve Lahoud.

A vantagem da plataforma é permitir a negociação no modo online e a qualquer hora. “Como não há um cobrador ligando a toda hora, fica mais fácil chegar a uma solução amigável”, argumenta o executivo. O negócio que Lahoud toca com outros sócios é apoiado pelo inovaBRA, programa de incentivo às startups do Bradesco. “Graças ao inovaBRA e à Telefônica, que é uma de nossas investidoras, vamos lançar em outubro uma versão mais atualizada da plataforma”, comemora o executivo.

Já o objetivo de Adrianno Barcellos, co-CEO da SaúdeControle, é ajudar os clientes a organizar o histórico pessoal médico em um único ambiente virtual. “Enquanto há vários apps de registro médico nas lojas virtuais, percebemos que era preciso envolver todos os envolvidos – médicos, operadoras de saúde, hospitais, laboratórios de exame – para atualizar o histórico dos usuários e facilitar a gestão da saúde”, conta Barcellos.

De posse das informações médicas, é possível analisar as necessidades de saúde do usuário e estudar formas de dar atendimento personalizado e, assim, diminuir os custos com saúde. Marcelo Nakagawa disse que esses negócios foram possíveis com as tecnologias digitais e de mobile. “Enquanto as empresas tradicionais vêem o mobile como algo paralelo, as startups veem as novas tecnologias como essencial ao negócio, e estão ganhando espaço por causa disso.”

 

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