Mercado brasileiro de locação de veículos deve crescer 15% em 2011

por daniela publicado 11/11/2011 12h42, última modificação 11/11/2011 12h42
Daniela Rocha
São Paulo - Participação dos aluguéis para frotas corporativas representa mais de 50%, estima Hélio Martins Netto, diretor de Vendas da Hertz.
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O mercado de locação de veículos está em franca expansão no País. Neste ano, a projeção do setor é de um crescimento de 15% sobre 2010, chegando a um faturamento próximo de R$ 5,87 bilhões. A fatia relativa aos aluguéis voltados às frotas de empresas é de mais de 55%. As informações são de Hélio Martins Netto, diretor de Vendas da Hertz, que participou nesta sexta-feira (11/11) do comitê de Viagens e Mobilidade Corporativa da Amcham-São Paulo.

“Em 2011, o mercado começou bastante aquecido, mas desacelerou um pouco no terceiro trimestre. A expectativa é de um ampliação de 15%. No ano passado, o segmento já havia crescido 17%”, destacou Netto.

Segundo a Associação Brasileira de Locadoras de Automóveis (Abla), o setor movimentou em 2010 R$ 5,11 bilhões, sendo 56% referentes às frotas corporativas, 24% ao turismo de negócios e 24% ao turismo de lazer.

O setor

Para compor esse retrato, Alexandre Pinto, diretor geral da Shift Mobilidade Corporativa, locadora de automóveis, afirmou que 9,4% dos veículos comercializados no País foram adquiridos pelas locadoras, sendo 90% biocombustível. Desta forma, a frota total das locadoras foi ampliada em 14% em relação a 2009. As montadoras líderes foram Volksvagen (30%), Fiat (28%) e General Motors (24%), seguidas pelas demais, com fatias bem menores. Quanto aos modelos, ele salientou que 60% da frota de locação são compostos por veículos populares.

Na área corporativa, as áreas de atuação das empresas usuárias são, predominantemente, serviços (42%) e indústria (30%). Depois, aparecem comércio (10%), profissionais liberais (8%) e outras.

Custo X benefício

Muitas empresas têm preferido partir para o aluguel da frota de veículos para se concentrarem mais no core business e reduzirem custos. "É crescente a preocupação com o melhor gerenciamento das frotas. Essa é uma área onde se pode perder muito dinheiro, mas, se for bem trabalhada, contribui para os resultados positivos das empresas”, disse Wilson Nascimento, gerente administrativo da BDF Nivea no painel da Amcham. 

Ele enfatizou que, para tomar a decisão de alugar, é fundamental fazer uma análise desses custos em comparação com os de uma frota própria, levando-se em consideração os períodos nos quais as renovações de veículos serão necessárias.

Para isso, pode ser aplicada a metodologia TCO (Total Cost of Ownership), um sistema de cálculo para mensurar os custos da compra e manutenções, seguros e avarias, assim como a depreciação de ativos próprios. As vantagens dos pacotes de serviços das locadoras também precisam ser checadas, incluindo veículos reservas, assistência 24 horas e cuidados com licenciamento e impostos.

Lado emocional

Gustavo Gomes, gestor de frotas da Pfzer, indústria farmacêutica, ressaltou que, além de todos os cálculos e critérios técnicos de análise, há um componente de ‘paixão’ por carros. “A discussão sobre a frota costuma envolver o presidente da empresa. A escolha das marcas e modelos pode influenciar muito, não apenas os preços”, ponderou. Gomes afirmou ainda que componentes de segurança como airbag e freios ABS têm sido cada vez mais demandados e devem ser considerados nas contas, visando maior segurança dos colaboradores.

Outro fator que deve entrar na equação é que os veículos têm sido usados pelas organizações como mecanismos de retenção dos colaboradores. “Cada dia que passa o carro deixa de ser simplesmente uma ferramenta de trabalho para ser um benefício. As empresas pensam no bem estar e na qualidade de vida dos funcionários. Para retê-los, uma das ferramentas é oferecer um carro bom, que garanta conforto e segurança”, acrescentou Hélio Netto, da Hertz.

Contudo, os especialistas foram unânimes na avaliação de que é essencial buscar o equilíbrio entre o atendimento aos anseios dos funcionários e a lucratividade.

 

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