Mercado de trabalho vai exigir das pessoas “upgrades” contínuos, segundo empreendedor

publicado 23/05/2019 09h19, última modificação 22/05/2019 15h15
São Paulo – Leandro Herrera (Tera) afirma que interação entre pessoas e máquinas vai ser cada vez mais intensa
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Leandro Herrera, do Tera, em Comitê de Líderes Empresariais em São Paulo

Aprender, desaprender e reaprender. A melhor forma de se preparar para o mercado de trabalho do futuro é reciclar sempre os conhecimentos, disse Leandro Herrera, fundador e CEO da plataforma educacional Tera. “Da mesma forma que a gente interage com sistemas em upgrades contínuos, nós também precisaremos estar em upgrades contínuos”, observa, usando a analogia de computadores.

Herrera participou do nosso Comitê de Líderes Empresariais em São Paulo, em 25/4. Para ele, a formação acadêmica tradicional não será suficiente para credenciar os profissionais aos novos desafios. É uma ideia de educação muito linear, define. “A gente divide em blocos. Existe o ensino básico, o médio, o superior.”

Que tem sido suficiente para oferecer conhecimento e segurar uma carreira por muitos anos. Mas as transformações tecnológicas recorrentes vão extinguir e criar empregos, exigindo das pessoas formações contínuas.

“Infelizmente, nesse contexto que a gente aborda, será impossível manter esse modelo de educação. As profissões e empresas vão mudar e as pessoas terão que continuar se capacitando. A ideia é se colocar em um lugar de aprendizado constante”, argumenta Herrera.

A educação do futuro deverá fugir do padrão linear. “O modelo de ensino de quatro anos, por exemplo, não será mais tão eficiente. Os cursos serão mais curtos, multidirecionais e personalizados.”

Mais interação com as máquinas

Não é possível saber qual será a tecnologia dominante, mas há algumas premissas que vão direcionar o futuro. Uma delas é o aumento de interação com as máquinas. Nos Estados Unidos, por exemplo, a internet das coisas está tornando a vida dos americanos mais conectada.

Herrera disse que 40% das casas possuem assistentes virtuais que executam comandos como ligar, programar ou desligar aparelhos elétricos e são acionados pela voz do dono. Até 2020, eles ocuparão 70% dos lares americanos. É possível prever, então, o surgimento de profissões como cientista de dados e designer de experiências. “Precisaremos de designers para fazer e ampliar as interfaces de voz”, comenta.