Mesmo em casos de emergência, eventuais demissões devem levar em conta o futuro do negócio

publicado 14/12/2015 09h53, última modificação 14/12/2015 09h53
São Paulo – Sócio da PwC comenta tendências para os recursos humanos em 2016
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Com a expectativa de prolongamento da crise econômica por 2016, segue também a expectativa de alta no desemprego. Nesse cenário em que há risco de novas demissões, os departamentos de RH das empresas estão diante de um “paradoxo”, diz João Lins, sócio líder de People & Change da PwC.

“A velocidade com que o ajuste se impõe não deixa tempo para fazer uma reflexão profunda sobre as necessidades de corte com previsão de futuro. Mas é fundamental pensar nos ajustes com um olho na competitividade”, adverte o consultor, que cmentou as tendências de recursos humanos para 2016 no comitê aberto de Gestão de Pessoas da Amcham – São Paulo, sexta-feira (11/12).

O ideal é pensar nos tipos de talentos que a empresa vai precisar nos próximos cinco anos para seguir sua estratégia de negócio. Na pressa, às vezes se corta o que é fácil, sem repensar a estrutura de pessoal. Ao mesmo tempo, a empresa terá de ser criativa para garantir engajamento perante a restrição de orçamento.

“A dica é investir mais na proposta de valor para o funcionário, pensando nos atributos da organização que geram atratividade na força de trabalho, como propósito, sentido do trabalho, desafios e possibilidade de crescimento”, pontua Lins.

Ao mesmo tempo, os departamentos de RH terão novos desafios, em 2016, como a mudança regulatória que instituiu o eSocial. Cerca de 70% das informações inseridas na plataforma serão de responsabilidade da área. “Em um ano difícil economicamente, uma multa ou impedimento podem afetar os resultados das empresas”, alerta.

Talentos e produtividade

Nessa conjuntura, vale considerar o que os CEOs do mundo todo estão pensando sobre os atuais talentos buscados pelas organizações, indica Lins. A pesquisa anual que a PwC realiza com 1.300 líderes globais mostra que as companhias ainda demandam talentos, apesar do encolhimento da economia global, desde 2008.

Até 2007, quando a economia estava em expansão, havia muita procura por mão-de-obra, observa o consultor. A partir de 2008, a busca tornou-se mais qualitativa, em vez de quantitativa.

“O levantamento mostra que 81% dos CEOs buscam, nos talentos a serem recrutados, uma gama de competências bem mais ampla que no passado”, afirma.

A maneira como se faz dinheiro no século 21, com forte apelo tecnológico, é determinante. As empresas vão buscar funcionários que, mais do que saber, consigam adquirir novas competências. “Há um novo mix de talentos criados pela sociedade e não mais apenas pelas empresas”, comenta. “Deve-se criar uma força de trabalho adaptativa e aproveitar melhor esse mix de talentos”, destaca.

O RH também vai ter que se adaptar para dois novos fatos: a convivência de várias gerações ao mesmo tempo e o aumento da presença feminina no mercado. “As empresas precisam quebrar paradigmas para aproveitar esse novo mix de talentos. Devem, superar antigas práticas como buscar talentos apenas nas melhores escolas”, aconselha.

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