Modelo introduzido pela geração Y promete ser base organizacional de companhias do futuro

por giovanna publicado 03/02/2011 18h00, última modificação 03/02/2011 18h00
Porto Alegre – Principais características trazidas pela nova geração são fluidez, agilidade e multidisciplinaridade.
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Fluidez, agilidade, multidisciplinaridade, união entre capitalismo e idéias sustentáveis, comprometimento com uma causa, colaboração e ausência de hierarquia. Estas são algumas das características que marcam as empresas criadas pela geração Y, de jovens nascidos entre as décadas de 80 e 90. O novo modelo organizacional promete ser a base das companhias do futuro, anteveem Felipe Anghinoni e Tiago Mattos, diretores da escola Perestroika. A instituição criou inclusive o conceito Wi-ORGs, que denomina e sintetiza esse novo paradigma corporativo.

“Essa é a tendência do modelo de empresa do futuro, mas sabemos que as mudanças devem ocorrer paulatinamente nas organizações vigentes. Acreditamos que um dos pontos mais complexos e difíceis de companhias com os modelos conhecidos aceitarem é que não basta aplicar uma simples ferramenta para a modernização ser concluída. São muitas características que permeiam a empresa, e a principal delas é aceitar que o mundo agora é mais fluido, inclusive no ambiente de trabalho”, diz Mattos, que participou do comitê de Empreendedorismo da Amcham-Porto Alegre na segunda-feira (31/01).

Ele acrescenta que a revolução digital vivida nos últimos anos derrubou antigos conceitos e mudou completamente a maneira como as pessoas se comunicam, inclusive dentro das companhias, muitas vezes comprometendo o entendimento nesse âmbito.

“Hoje, o sentido de família, religião, educação e sucesso não é mais igual ao de anos atrás. Um jovem que passa o dia conectado em casa não admite não poder usar redes sociais no trabalho ou não ter uma comunicação fácil com o chefe, ao passo que se comunica com várias pessoas importantes por sites e blogs. Além disso, em cinco minutos ele pode criar um veículo de comunicação na rede, enquanto passa seis meses desenvolvendo o planejamento de um projeto na empresa. Entender essa transformação da mentalidade humana permite compreender a mudança que ocorre também nas empresas”, completa.

Mattos avalia que, como agora em várias situações o conhecimento está com o mais novo, não com o mais velho, as companhias que não mudarem sua visão terão dificuldades para compor seus quadros e se renovar, correndo o risco de serem interpretadas como organizações desconectadas do mundo.

Recomendações

Para uma empresa tradicional, que não sabe como aplicar essas características da geração Y cada vez mais exigidas, os diretores da Perestroika indicam que se comece por implementar os novos conceitos em um projeto piloto em departamento ou entre um grupo de colaboradores.

“Certamente, algumas grandes empresas já consolidadas poderão abrir mão de estar tão fluidas porque têm um patrimônio, uma história que permite não fazer essa mudança. Mas as de porte médio deverão abarcar essas características para se tornar mais competitivas e ganhar agilidade”, orienta Mattos.

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