Mudar a cultura é valorizar as diferenças

publicado 01/08/2013 18h34, última modificação 01/08/2013 18h34
São Paulo – Líderes precisam estar atentos à diversidade de opiniões no local de trabalho
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A cultura organizacional é, basicamente, “o jeito de ser" da empresa. Por isso, é preciso olhar de perto como cada pessoa se comporta e de que maneira os líderes estimulam a diversidade de ideias e opiniões.

E, para que isso seja possível, o segredo é influenciar o comportamento dos funcionários. De acordo com Cláudio Garcia, presidente para América Latina da consultoria Lee Hecht Harrison DBM, líderes mais tolerantes dependem de “estímulos que ampliam a consciência do indivíduo sobre como ele está agindo”.

Para falar sobre a gestão da cultura organizacional, Garcia foi chamado para palestrar no Comitê Estratégico de Gestão de Pessoas, que aconteceu na Amcham-São Paulo, no dia 1º de agosto. Um dos pontos de maior discussão durante a reunião foi ainda existir, dentro das empresas, valores definidos apenas com base apenas na hierarquia e em fazer o que o cliente pede. Mas essa pode não ser a melhor estratégia.

Quebrar paradigmas
“Nem sempre o que o cliente fala é lei”, ressalta o consultor. Segundo ele, é preciso romper ideias pré-estabelecidas que ignorem completamente a relação entre as pessoas e acabam, dessa forma, por privilegiar apenas a relação com o cliente.

Para o palestrante, é preciso deixar a chamada “liderança dogmática”, que é baseada em gestores inflexíveis com ideias que nunca mudam, para desenvolver uma “liderança mais linear”. Ou seja, abrir um espaço onde todos podem dialogar entre si e encontrar melhores soluções para o cliente, e que podem ser melhores e mais surpreendentes do que a demanda inicial feita por ele.

A partir de então, Cláudio Garcia acredita que existirá uma reflexão sobre a causa e a consequência de cada atitude dentro da equipe. Se as pessoas não conseguem entender o motivo e os resultados de cada atitude delas no exercício diário do trabalho, existe um problema na cultura e os líderes precisam estar preparados para ajudá-las. “Eles devem ter a capacidade e o tempo de experiência para lidar com as situações mais complexas”, conta.

Diversidade de opiniões
E um líder democrático, por essência, deve carregar dentro de si a tolerância para lidar com a diversidade. Só que, segundo o consultor, não se trata apenas da diversidade de gênero ou etnia, como muito se fala atualmente. “O difícil mesmo é lidar com a diversidade de opiniões, pois ela coloca as pessoas em situações de grande conflito”, ele explica.

Ao aceitar e reconhecer as ideias de todos, Cláudio Garcia acredita que o espaço pode ser tornar mais democrático para lidar com os mais diferentes tipos de estilos, comportamentos e gerações. A partir de um maior reconhecimento das diferenças de cada um, a cultura da empresa se tornará mais produtiva e, por consequência, os líderes mais democráticos. “Todos acabam ganhando uma sensação de propósito, com o objetivo de criar algo maior pelo qual todos os indivíduos se movem”, pontua o palestrante.

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