Mudar a forma de pensar é fundamental para perceber transformações

por andre_inohara — publicado 05/05/2011 17h23, última modificação 05/05/2011 17h23
São Paulo – Interpretar transformações dos cenários requer ampliação dos modelos mentais de pensamento, diz consultora.
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A capacidade de interpretar as transformações dos cenários econômicos e criar oportunidades para as empresas em novas realidades é uma das mais recentes competências que se exigem dos executivos. Uma forma de captar as mudanças é ampliar as formas de pensar, segundo Cristina D’Arce, sócia da consultoria organizacional Quartet Labe.

“Percebemos apenas aquilo que nossos modelos mentais nos permitem”, observou a consultora, em entrevista após participar da reunião do comitê estratégico de Gestão de Pessoas da Amcham-São Paulo nesta quinta-feira (05/05). “Se tenho uma crença muito profunda de como uma empresa ou um departamento de RH deve funcionar, sou empurrado e funciono baseado nessa convicção.”

Sem mudar a forma de pensar, não há inovação. “As pessoas enxergam o mundo por meio de modelos mentais construídos a partir de crenças e valores. Se elas estão apegadas a um deles, não conseguirão nem perceber outras visões”, afirmou Cristina.

Isso pode ser perigoso para o futuro das organizações, caso a direção não consiga perceber a necessidade de mudança de rota, diante de um cenário adverso iminente.

No comitê de Gestão de Pessoas realizado na Amcham-São Paulo no dia 29/04, a presidente da divisão de bebidas da Pepsico, Andrea Alvares, também ressaltou essa necessidade de atenção à conjuntura. Ela disse que uma das habilidades esperadas dos líderes é a capacidade de interpretar cenários econômicos e setoriais. “Isso será o grande desafio de qualquer líder, além de consistir uma vantagem competitiva.”

Transformando percepções

Cristina trouxe um debate sobre a transformação de percepções. Como exercício, solicitou aos participantes do comitê que selecionassem o tema mais importante do momento dentro das respectivas organizações. Depois, pediu aos membros que formulassem uma pergunta relacionada ao assunto, da qual não soubessem a resposta, de modo que causasse o maior impacto rumo à transformação, levando a pesquisa e reflexão.

Se a resposta para a pergunta tivesse pouco impacto, provavelmente teria sido elaborada seguindo o modelo mental vigente do profissional. “Nesse caso não há investigação, pois no fundo a pessoa acha que tem a resposta. Mas a questão realmente estratégica é aquela para a qual não se tem a menor ideia da resposta”, assinalou.

O carrinho de bananas

Para ilustrar como os modelos mentais de pensamento não enxergam novidades, Cristina contou o caso de uma tribo da Malásia que vivia na Idade da Pedra. Certa vez, o líder dessa comunidade foi levado pelos pesquisadores para passar o dia em Cingapura, cidade-estado no sul da península malaia.

Quando retornou à sua tribo, o chefe tribal contou que o que mais o havia impressionado na cidade tinha sido ver um homem carregando vários cachos de banana em um carrinho de rodas. Na aldeia, os cachos ainda eram carregados pelos membros.

“Sua percepção de mundo, baseada em seu modelo mental, só permitiu que ele visse as bananas (nos carrinhos), mesmo com a existência de portos, carros e infraestrutura urbana”, disse Cristina. “Só consigo ver o que está no meu modelo mental”, concluiu.

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