Mulheres precisam mirar modelos femininos de sucesso para desenvolver carreira, diz Andrea Chamma

publicado 08/03/2016 13h55, última modificação 08/03/2016 13h55
São Paulo – Vice-Chairwoman do Bank Of America Merrill Lynch fez bate-papo com funcionárias da Amcham
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Em seus mais de 30 anos no mercado financeiro, Andrea Chamma diagnosticou um ponto em comum com tantas outras profissionais: faltam modelos femininos para que as mulheres se inspirem e desenvolvam carreira. A explicação está no padrão de comportamento que o cérebro segue, diz a vice-chairwoman do Bank of America Merrill Lynch, que fez um bate-papo com as funcionárias da Amcham na terça-feira (08/03), Dia Internacional da Mulher.

“O cérebro repete padrões, faz associação. E à medida que faltam modelos, vem uma certa dúvida quando a mulher vai assumir uma função”, afirma.

Ela relata que uma amiga, também profissional, lhe confidenciou quase ter deixado um avião quando descobriu que a comandante era mulher. “Eu disse ‘mas como você fala isso? Você também trabalha!’. Ocorre que o cérebro dela não está acostumado a ver mulher pilotando. Por isso a importância de termos mulheres e de copiarmos essas figuras”, atesta.

Os modelos também ajudam a desconstruir padrões de passividade herdados, como os de contos de fada em que as mulheres se escabelam de trabalhar à espera de reconhecimento.

“O fato de vocês terem a Deborah Vieitas como CEO faz com que tenham mais chances de ter carreira e sucesso do que 90% das mulheres, porque vocês têm a quem copiar. O inconsciente vai trazer esse modelo para vocês”, declara Andrea, que falou a uma plateia de 80 em São Paulo. Outras 98 profissionais acompanharam o encontro nas 13 regionais da Amcham pelo país, via streaming.

Dez dicas de Andrea Chamma

Andrea compartilhou dez dicas de posicionamento que lhe foram importantes, ao desenvolver sua carreira. A primeira é “conhecer a si mesma” para então saber aonde quer chegar. Assim será possível ter uma carreira.

Em seguida, analise a posição que ocupa. “Nem sempre fazer bem feito é suficiente para subir, mas saber das reais possibilidades de ascensão vai ajudá-la”, diz. “Não há uma diretoria de xerox. Se a sua área não tem diretoria, avalie trocar de área”, complementa.

A terceira dica é conhecer seu interlocutor (chefes, funcionários e clientes) para saber como negociar. “Quando recebem uma negativa, mulheres que evoluem na carreira não reclamam, mas negociam, perguntam como é melhor fazer para acertar”, indica.

Ter consciência do que não domina é a quarta orientação. Associar-se a quem tem habilidades diferentes, como numa equipe, eleva as chances de vitória.

Em quinto lugar, vem a dica para não parar de estudar e se interessar por novos conhecimentos. “Sempre vi que todas as heads tinham essa coisa de estudar, de aprender coisas novas ao longo da carreira”, conta. Para Andrea, isso permite a desaprender velhos padrões e a descobrir novos caminhos.

Fazer escolhas e ter equação equilibrada entre vida pessoal e trabalho é a sexta indicação. “Substitua o adjetivo ‘super’ pelo ‘bom’ para não se frustrar. Se quiser ser super profissional, super mãe e super outra coisa o tempo todo, só vai se estressar”, aconselha.

A sétima dica vem como uma interrogação: “quem te fala a verdade?”. Andrea destaca a relevância de um feedback verdadeiro que permite correções de rota. “Tem que arrumar alguém com coragem de te falar a verdade e grudar nessa pessoa”, cita.

Vencer o medo e pedir é a oitava lição da executiva. “Quem pediu para ser promovido terá mais chances, porque será lembrado, na oportunidade”, avalia. Ao mesmo tempo, nessa situação a chefia poderá indicar quais competências devem ser desenvolvidas para se alcançar tal posição.

Em nono lugar, Andrea aconselha a ter um(a) mentor(a), um(a) professor(a) e um(a) sponsor. “O mentor fala vai pela esquerda ou direita, isso está errado. O professor ensina o específico, como fazer. E o sponsor é quem te banca, fala ‘conheço a fulana, eu assino embaixo, dou apoio’”, comenta.

Por último, a executiva orienta a conhecer seu próprio coração e não eliminar sua própria expressão no meio corporativo. “Todas temos um jeito de ser que tem a ver com o coração”, conclui.

Inspiração

O bate-papo com Andrea Chammas inspirou e rendeu questionamentos. “É muito bom poder ter alguém que agregue conhecimento e que faça o nosso senso crítico ser despertado em alguns pontos que muitas vezes passam despercebidos”, acredita Maria Eduarda Fernandes, 25 anos, acquisition na Amcham – Recife.

Ela destaca a dica número um, sobre autoconhecimento. “Você só poderá traçar objetivos após ter certeza do que você é e do que almeja”, justifica.

A troca de experiências com uma executiva do nível hierárquico de Andrea trouxe novos pontos de vista para Carmem Madrilies, 28 anos, coordenadora de desenvolvimento de negócios e produtos e serviços na Amcham – Campinas. “Ver como ela conseguiu se equilibrar diante das dificuldades que ocorrem na carreira feminina foi muito importante, como não se masculinizar para conquistar uma nova posição e manter suas características pessoais”, lista.

Ouvir uma executiva atenta à questão da diversidade nas empresas ressaltam a relevância do empoderamento feminino, afirma Marcela Linhares, 25 anos, analista de produtos e serviços da Amcham – Belo Horizonte. “Ela nos mostra a importância de vivenciar isso como parte de um processo de desconstrução fundamental de nós mesmas e da realidade que o mercado nos apresenta”, diz. “Encontros como esse nos chamam a atenção para o longo caminho que ainda precisamos trilhar para incluirmos todas as mulheres, principalmente as que também são parte de outras minorias”, assinala. 

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