Não é só vender mais: líderes da Gerdau, Natura e Ambev revelam metas do futuro

publicado 12/04/2019 14h47, última modificação 12/04/2019 16h27
São Paulo – Na posse do Conselho da Amcham, dirigentes debatem como liderar as transformações dos próximos anos
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Da esquerda para a direita, Guilherme Peirão Leal, da Natura, Bernardo Pinto Paiva, da Ambev, e André Gerdau Johannpeter, da Gerdau, em painel moderado por César Tralli

As empresas não vão garantir seu futuro só gerando mais valor para o negócio. Como consumidores ou colaboradores – ou os dois ao mesmo tempo –, os mais jovens já preferem empresas responsáveis, inovadoras e inclusivas. São com essas premissas que Ambev, Gerdau e Natura trabalham para liderar as transformações do mercado e de consumo.

“A gente acha que não dá para servir os nossos clientes apenas entregando o melhor xampu, a melhor cerveja e o melhor aço. Precisamos ser empresas que ajudam a construir uma sociedade menos desigual e mais próspera”, define Guilherme Leal, co-presidente do Conselho de Administração da Natura.

Para um público de 800 empresários e executivos graduados, Leal, Bernardo Pinto Paiva, CEO da Ambev, André Gerdau Johannpeter, vice-presidente do Conselho de Administração da Gerdau, debateram as transformações que conduzirão as empresas ao futuro durante nossa cerimônia de posse do novo Conselho de Administração, em 10/4. O novo conselho será presidido por Luiz Pretti (Cargill). O evento também marcou os cem anos de existência da Amcham.

“Pelo tamanho e peso que as companhias têm aqui, elas mandam sinais para o mundo. Podemos fazer mais”, disse Paiva. O executivo cita a iniciativa AMA, a água mineral da Ambev que reverte 100% do lucro das vendas para projetos de acesso à água potável no semiárido brasileiro. Além da AMA, a Ambev apoia organizações sociais.

Paiva frisa que a Ambev quer trazer impacto econômico e social. “Vamos manter o que fazemos. Evoluir no nosso negócio principal, mas fazer com que ele seja feito com humanidade e empatia. Não é só melhorar a receita líquida, mas também os indicadores internos de impacto na sociedade.”

Além da atuação social, a inclusão. Leal, da Natura, destaca que a diversidade é fundamental para atrair inovação e novos pensamentos. “Isso é o que dá capacidade para a empresa se atualizar e ser disruptiva.”

Centenárias e relevantes

Enquanto a Amcham completa um século de existência neste ano, duas empresas já fizeram mais de cem anos: a Ambev (fundada em 1888) e a Gerdau (1901). Para Gerdau, o que torna uma empresa relevante não é a sua longevidade, mas a sua visão de futuro e o que ela faz para transformar a vida das pessoas.

Gerdau representa a quinta geração de fundadores. Para se adaptar ao novo cenário competitivo e atrair talentos para conduzir a empresa nos próximos anos, contratou um CEO do mercado e enxugou estruturas hierárquicas. Mudanças necessárias para trazer visões diferentes de mundo, reconhece.

“Atuamos em um segmento milenar. O aço era usado para fazer espadas. Vivi muitas transformações e sei que dá para fazer. É por isso que criamos um ambiente que atrai os jovens e lideramos pelo exemplo.”

Educação para o futuro

O mediador do debate, o jornalista da TV Globo César Tralli, perguntou aos empresários que medida deveria ser potencializada para o futuro. Educação foi a resposta dos três.

Gerdau disse que o investimento em educação é o que garante um futuro sustentável de longo prazo, e acrescentou que também é preciso inverter a lógica de que o estado deve direcionar a ação das pessoas. Leal, da Natura, destaca que a capacitação é a melhor forma de diminuir o desequilíbrio de oportunidades.

Sem educação, não haverá como construir crescimento sustentável, frisa Paiva, da Ambev. “Não existe atalho para se construir uma grande organização sem a formação de pessoas.”

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