Nunca houve tantos brasileiros indo para os EUA para negócios, educação e turismo, analisa William Popp

por marcel_gugoni — publicado 26/04/2012 11h40, última modificação 26/04/2012 11h40
Marcel Gugoni
São Paulo - Cônsul americano em São Paulo afirma que relação bilateral se dá cada vez mais entre as sociedades e que os EUA mostram interesse em facilitar a entrada de brasileiros.
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A relação entre Brasil e Estados Unidos passa por um momento histórico: o número de brasileiros que vai aos EUA é recorde, o governo americano promete facilitar ainda mais a viagem de empresários, turistas e estudantes, e a agenda comercial continua crescendo e se complementando. Esta é a avaliação de William Popp, cônsul geral Interino dos Estados Unidos em São Paulo, sobre o momento vivido pelos dois países.

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Somente entre janeiro e março de 2012, o número de brasileiros que conseguiu o visto americano saltou 46% na comparação com o mesmo período de 2011, segundo os dados do Consulado de São Paulo. Mais de 136 mil pessoas obtiveram o documento. “Nunca houve tantos brasileiros indo para os EUA para negócios, educação e turismo”, afirmou Popp em entrevista ao site após participar do “Seminário Oportunidades nas Relações Comerciais do Brasil frente à nova configuração dos blocos econômicos mundiais”, realizado pela Amcham-São Paulo nesta terça-feira (24/04).

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“É uma relação que se dá cada vez mais na base entre as sociedades, e os EUA estão mostrando interesse em facilitar a entrada de brasileiros e agilizar vistos para todo tipo de viagem”, afirmou. “Há várias oportunidades, como nunca houve na história dos dois países. Na parte comercial, existem mais investimentos dos EUA no Brasil do que nunca.”

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Popp avalia que o Brasil é estratégico para a recuperação econômica dos EUA porque “o comércio entre os dois países é complementar”. “Quando os EUA crescem, estão comprando produtos do Brasil, manufaturados e outros que não são feitos nos EUA, e exportando produtos aqui para o Brasil. Ficamos otimistas com a recuperação.”

Confira aqui vídeo com a entrevista do cônsul à Amcham.

Leia os principais trechos da entrevista com William Popp:

Amcham: Quais as principais oportunidades na relação entre Brasil e EUA?

William Popp: Acho que há várias oportunidades, como nunca houve na história dos dois países. Na parte comercial, há mais investimentos dos EUA no Brasil do que nunca, e existem mais brasileiros também investindo nos EUA. Então, os fluxos de investimentos em manufaturas, serviços e tecnologia estão crescendo. Novas companhias americanas chegam ao Brasil todos os dias. Há muitas possibilidades. Este é um momento histórico da relação bilateral. Nunca houve tantos brasileiros indo para os EUA para negócios, educação e turismo. É uma relação que se dá cada vez mais entre as sociedades e os EUA estão mostrando interesse em facilitar a entrada de brasileiros e agilizar vistos para todo tipo de viagem.

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Amcham: Quais são as outras oportunidades?

William Popp: A parte de educação seguramente vai criar as condições para o crescimento econômico. EUA e Brasil podem trabalhar em conjunto nesse sentido, principalmente pelo programa Ciência Sem Fronteiras, que oferece muito boas oportunidades para colaborar com instituições. As universidades americanas estão prontas a receber alunos brasileiros, que vão para estudar e trazer de volta experiências nas áreas de ciência e tecnologia, engenharia, matemática e outras. O programa é importante para engajar, encorajar o fluxo de conhecimento dos estudantes. Vemos enormes benefícios para todo o mundo.

Amcham: Há outras áreas que o Sr. destacaria também como importantes a esta parceria?

William Popp: Há muitas opções também em infraestrutura, obviamente na preparação para os Jogos Olímpicos [do Rio de Janeiro, em 2016,] e a Copa do Mundo [em 2014]. Vejo que esses eventos devem ser um sucesso do Brasil, e esperamos contribuir. Além dessa, há a área de tecnologia, pesquisa e desenvolvimento, as quais oferecem vagas para cientistas trabalharem e desenvolverem habilidades em conjunto com os EUA. Estamos muito otimistas com futuro.

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Amcham: Quais os principais gargalos da economia brasileira, na sua avaliação?

William Popp: A experiência do Brasil tem muito em comum com a do resto do mundo. Todos os países precisam continuar a investir na infraestrutura, na educação e desenvolver sua população para a nova economia do século XXI, para aumentar a competitividade e a eficiência do fluxo de comércio. O mundo está ficando cada vez mais competitivo, com cada vez mais concorrência entre as economias. Para qualquer país, inclusive o Brasil ou os EUA, é importante investir para conseguir esses benefícios e avanços de eficiência.

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Amcham: Como o Brasil pode ajudar na recuperação dos EUA?

William Popp: A economia dos EUA já está se recuperando, o que é bom para o Brasil e para o mundo. Como maior economia e motor da economia global, a parceria comercial forte do Brasil com os EUA vai ajudar. O bom é que o comércio entre os dois países é complementar. Então, quando os EUA crescem, estão comprando produtos do Brasil, manufaturados e outros que não são feitos nos EUA, e exportando produtos aqui para o Brasil. Ficamos otimistas com a recuperação dos EUA porque mostra que há como colaborar com o Brasil, que também está crescendo de forma expressiva.

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