O que as empresas podem aprender com Game of Thrones e Hemingway

publicado 30/10/2014 16h07, última modificação 30/10/2014 16h07
São Paulo – Especialista comenta cases de sucesso em storytelling e fala das vantagens que a estratégia pode trazer às marcas
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Entre inúmeras cenas polêmicas, a série de TV Game of Thrones, produzida pela HBO, tem muito para ensinar às empresas sobre estratégias de marca. Para Fernando Palacios, diretor da Storytellers Brand’n’Fiction e palestrante no comitê estratégico de Marketing da Amcham, em 29/10, a série inspirada na saga As crônicas de gelo e fogo, de George Martin, é um exemplo de narrativa para engajar o público.

“Sua capacidade de fidelizar o público é impressionante. Isso acontece porque há uma boa história por trás. George Martin criou 13 mil anos de história e sabe exatamente o que é importante contar. Assim que tem que ser uma boa história: tem que ter uma parte escondida, que você não vê”, diz.

Para ele, outra obra que tem ensinamentos para as empresas é o romance O velho e o mar, de Ernest Hemingway. Ele conta que muitos críticos questionaram o reconhecimento do livro com o Prêmio Novel de Literatura de 1954 por ter pouco mais de 120 páginas. “Hemingway rebateu as críticas, dizendo que ganhou justamente por ser uma história curta. Ele pensou no que aconteceu com cada morador da vila, mas selecionou e publicou apenas as melhores partes da história. É um exemplo de boa narrativa para chamar atenção ao que se quer relatar”, explica.

Com uma história bem contada, qualquer empresa pode ir longe, segundo Palacios. O storytelling, estratégia de marketing que consiste em contar histórias da companhia de uma maneira mais palpável e lúdica, vem apresentando resultados positivos às empresas que a incorporam em suas ações. Além de maior engajamento do público, transformação de stakeholders em embaixadores, expansão do mercado, a estratégia contribui para a diferenciação da marca e o estabelecimento de conexão emocional com clientes.

Storytelling no setor público

O storytelling também vem sendo utilizado pelo setor público. Em setembro, a Prefeitura do Rio de Janeiro chamou a atenção de vários internautas em sua página do Facebook com um pedido de casamento para a Prefeitura de Curitiba. A brincadeira institucional nas redes sociais virou uma campanha para doação de sangue nas duas capitais.

“Esse é um bom case de storytelling no setor público. As páginas das prefeituras nas redes sociais têm uma voz própria, que não é corporativa, política nem institucional. É uma voz pessoal, que permitiu uma aproximação e interação maior com os cidadãos que queriam atingir”, conta Palacios.

Vale inventar história?

De acordo com Palacios, vale inventar uma história sim, desde que esteja claro para o público que se trata de uma ficção. “As pessoas podem gostar de uma mentira bem contada, desde que elas saibam que é uma mentira. Existe uma ética no storytelling”, afirma.

Palacios destaca o caso da marca de sorvetes Diletto, fundada por Leandro Scabin, que diz ter se inspirado em seu suposto avô, Vittorio Scabin, sorveteiro italiano da região do Vêneto, para abrir a empresa. A história real, que é contada nas embalagens e no site da companhia, foi revelada na semana passada pela revista Exame, que publicou um artigo contando que o tal Vittorio nunca existiu nem produziu sorvetes: é apenas uma estratégia de marketing.

“É um problema apresentar a ficção como verdade, sem explicar que aquela história não é real”, diz. “Mais cedo ou mais tarde, alguém vai descobrir e pode pegar mal para a marca.”

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