Odebrecht não tem segunda chance de errar, diz conselheiro independente

publicado 04/05/2018 15h19, última modificação 04/05/2018 15h50
São Paulo – Para João Nogueira Batista, custo de não ter compliance ainda coloca empresa em risco
João Nogueira Batista

João Nogueira Batista, da Odebrecht: Custo de não ter compliance quase acabou com a empresa

O compromisso da Odebrecht com a transparência é uma questão de sobrevivência, afirma João Pinheiro Nogueira Batista, primeiro membro independente do Conselho de Administração da Odebrecht. “A grande blindagem que existe hoje da Odebrecht é que ela não tem uma segunda chance. Se errar de novo, acabou”, contextualizou ele, após participar do Comitê Estratégico de Governança Corporativa da Amcham-São Paulo realizado nesta quarta-feira (3/5).

Batista foi eleito em junho de 2017, como parte da reestruturação do conglomerado e criação de um sistema de prestação de contas. Outros membros independentes virão. “Vamos anunciar em assembleia mais quatro conselheiros independentes na holding (de um total de nove). São pessoas de renome já eleitas”, detalha Batista. A assembleia está prevista para ocorrer em maio.

De acordo com a política de conformidade e governança criada no final do ano passado, a Odebrecht vai criar conselhos administrativos em todos os negócios, inclusive os controlados. Pelo menos dois membros independentes farão parte de cada unidade.

Na Odebrecht Engenharia e Construção (OEC), empresa carro-chefe do grupo e onde se concentraram as denúncias de corrupção, no mínimo quatro membros de fora (também de um total de nove) devem ser escolhidos. “A ideia é trabalhar com paridade de membros independentes tanto na holding como na construtora. Estamos mostrando que a coisa é séria”, reforça o conselheiro. A meta é ter 22 conselheiros independentes em todo grupo.

Lava Jato

Envolvida na Operação Lava Jato, a Odebrecht admitiu responsabilidade em atos de corrupção e fechou acordos de leniência com a Controladoria-Geral da União (CGU), Advocacia-Geral da União (AGU) e Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

Uma das maiores empresas de engenharia e construção do mundo, o conglomerado também atua nas áreas de química, petroquímica [é acionista da Braskem junto com a Petrobras] e energia. Depois do início da Laja Jato, a Odebrecth teve contratos suspensos e vem se reestruturando administrativamente.

O grupo, que tinha aproximadamente 100 mil colaboradores espalhados pelo mundo antes da crise, tem atualmente 30 mil. Para continuar no mercado, a empresa tem que recuperar sua credibilidade. Mas embora tenha contratos a cumprir, o mercado ainda vê a Odebrecht com desconfiança, segundo Batista. “Temos um backlog (estoque) grande de contratos, mas um dia eles vão acabar”, detalha.

Atualmente, a empresa passa por um processo de renegociação de dívida, e um dos requisitos é o compromisso com a governança. Motivo pelo qual a criação de processos de compliance e transparência são parte essencial da recuperação. “O custo de não ter compliance foi enorme. A empresa, que quase acabou, ainda corre esse risco”, observa Batista.