Operadoras de telefonia móvel são oportunidade para atender a mercados segmentados

publicado 04/12/2014 09h42, última modificação 04/12/2014 09h42
São Paulo – Porto Seguro Conecta, Telco e Telefônica MVNO falaram sobre as perspectivas do setor
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As operadoras virtuais móveis – também conhecidas pela sigla MVNO – encontram limitações de crescimento para atuar no Brasil porque alugam redes ou frequências de outras operadoras, mas atendem muito bem a mercados de nicho. Essas foram algumas das conclusões das operadoras de MVNO Porto Seguro Conecta, Telco e Telefônica MVNO que estiveram no comitê de Tecnologia da Informação e Comunicação da Amcham – São Paulo, na quarta-feira (3/11).

A Porto Seguro, líder nacional em cobertura de seguros automotivos, decidiu diversificar a carteira de negócios para buscar rentabilidade e reforçar a presença da marca, disse Tiago Galli, gerente-geral da Porto Seguro Conecta. “Uma das formas que encontramos de fidelizar os clientes de seguros é oferecer novos serviços de conveniência, e o MVNO é um deles. Queríamos que a marca estivesse mais presente na casa, no carro e na carteira do cliente (a Porto também oferece cartões de crédito). O mesmo ocorre para o celular”, afirma Galli.

A operação foi concebida para atender a um número reduzido de clientes em São Paulo e Rio de Janeiro, pois as limitações de infraestrutura de telefonia impossibilitam a oferta em grande escala. “Há uma série de serviços que oferecemos para que o cliente não fique sem celular, e o mais demandado é o empréstimo de aparelhos celulares. Todos os negócios gerados ao redor do MVNO são rentáveis”, assinala Galli. Até dezembro, a expectativa da Porto Seguro é fechar com 310 mil linhas ativas.

O executivo admite que o sistema está sujeito à instabilidade da rede de telefonia, dificuldade contornada pela atuação segmentada. “Preferimos ser transparentes no relacionamento, e recusamos clientes em áreas onde o serviço de telefonia é insuficiente”, comenta Galli.

Para o Grupo Telco, que atua no setor corporativo com foco em serviços quadri-play (telefonia fixa, móvel, internet e TV), é preciso que o estado crie uma regulação mais favorável para desonerar a cadeia produtiva e incentivar a competição. “O mercado sempre demandará mais serviços, o que será possível somente através do contínuo aperfeiçoamento do órgão regulador (a Anatel), as operadoras de telefonia (que alugam as redes) e os MVNOs”, destaca Daniel Bichara, diretor de inovação e tecnologia do Grupo Telco.

A operadora Vivo aluga sua infraestrutura para duas empresas de MVNO, e considera importante investir no segmento para continuar crescendo. “Nossa estratégia em MVNO é crescer com parcerias. Para isso, estamos investindo em redes, qualidade de serviços e diferenciação de produtos”, relata Anderson Azevedo, diretor de Negócios de Atacado & MVNO da Telefônica – controladora da Vivo.

Por sua vez, Carlos Baigorri, superintendente de competição da Anatel – Agência Nacional de Telecomunicações –, disse que o desenvolvimento do mercado está mais ligado a questões concorrenciais do que regulatórias. “O Brasil tem um dos mercados mais competitivos do mundo em telefonia, razão que dificulta a entrada de novas operadoras MVNO”. O executivo disse, no entanto, que a Anatel disse que abriu uma consulta pública para ouvir sugestões a respeito da regulação de MVNO.

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