Orientação dos negócios em tempo real é grande tendência de Business Intelligence

por daniela publicado 27/07/2011 16h34, última modificação 27/07/2011 16h34
Daniela Rocha
São Paulo - Especialistas discutem na Amcham a evolução da inteligência corporativa ligada a coleta, organização, análise, compartilhamento e monitoramento de dados destinados às tomadas de decisão.
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A capacidade de orientar negócios em tempo real é a grande tendência de Business Intelligence (BI) ou inteligência corporativa, que consiste na gestão e aplicação de ferramentas tecnológicas para coleta, organização, análise, compartilhamento e monitoramento de dados destinados às tomadas de decisão.

No setor de varejo, por exemplo, assim que um consumidor compra determinado produto e passa no caixa, com o BI em tempo real, é encaminhada ao estoque a mensagem instantânea de que haverá necessidade de reposição na gôndola, permitindo à companhia um gerenciamento mais adequado de mercadorias e recursos financeiros.

 

Em outra ilustração, uma revendedora de veículos pode checar a rentabilidade de cada carro negociado em sua rede exatamente nos momentos em que ocorrem as vendas. Portanto, o BI, quando bem implementado, alavanca a performance das organizações, segundo especialistas que participaram nesta quarta-feira (27/07) do Fórum Business Intelligence promovido pela Amcham-São Paulo

“O BI tem como objetivo preencher o gap entre a estratégia e a execução. Como as oportunidades e os desafios exigem cuidados diários das empresas, a tendência é que o BI incorpore cada vez mais informações em tempo real”, ressaltou Carlos Guimarães, diretor de Vendas de Business Analytics & Technology da SAP, especializada em soluções de Tecnologia da Informação para o meio corporativo.

Cenário

Recentemente, uma série de transformações tem impactado a maneira de se conduzirem as operações nas companhias e também como devem estruturar o BI. Guimarães explica que o mundo passa por uma explosão de informações, sendo que levantamentos indicam que, a cada 18 meses, dobram os dados para tomadas de decisão nas organizações.

O fenômeno da mobilidade é outra variável a ser considerada porque projeta-se que, até 2013, os smartphones e tablets serão os principais meios de acesso à internet. Além disso, estima-se que 80% das novas ofertas de software neste ano estarão disponíveis via cloud computing (servidores compartilhados e interligados por meio da internet).

Nesse sentido, destaca Guimarães, será fundamental que as empresas busquem  estruturas de armazenamento de dados mais robustas e atuem na disponibilidade de dados em tempo real, que possam ser acessados em dispositivos móveis em qualquer lugar do mundo.

Caminhos

As empresas que já evoluíram nos sistemas transacionais  como o ERP  (Enterprise Resource Planning) para controle das compras, vendas, estoque, entre outros, agora têm de integrá-los de forma estruturada com ferramentas de análise. Um erro comum a ser evitado é que companhias invistam nesses dois sistemas, mas eles sigam funcionando estanques, o que leva a um trabalho demorado e custoso para a centralização de informações e geração de relatórios.

Outro desafio na implementação do BI, conforme Guimarães, está na conjugação das informações internas, do dia a dia das operações, com as externas, disponíveis, por exemplo, nas mídias sociais e em sites na internet.

Na avaliação de Daniel Lázaro, líder da área de Gestão de Informações e Análises para América Latina da Accenture, empresa global de consultoria de gestão, o BI não deve ser conduzido somente pelas áreas de TI, mas exige sim uma abordagem multidisciplinar.

Um programa de gestão de BI deve envolver todos os departamentos para que definam quais dados são relevantes ao negócio, o tempo de coleta e compilação e quais serão os usos. Outra orientação é a estipulação dos conceitos - por exemplo, todos devem ter o mesmo entendimento sobre o que são vendas líquidas, que podem ser as vendas brutas menos impostos. Somente assim, é possível chegar a relatórios consistentes. “É necessária a confiabilidade dos dados”, reforçou Lázaro. 

Dia a dia

João Carro Aderaldo, diretor comercial da Schneider Electric, indústria de disjuntores, interruptores e outros produtos e soluções na área de energia, ressaltou no fórum da Amcham que a aplicação de Business Intelligence tem auxiliado nos direcionamentos da empresa.  “O desvio nas previsões por famílias de produtos caiu de 40% para 12%”, enfatizou.

O mercado de componentes eletrônicos tem de ser ‘pensado’ com dois a três anos de antecedência. Segundo ele, além ser positivo na análise e políticas vendas, o BI leva a eficiência fabril.

No caso da Amil, o BI foi fundamental no processo de IPO, oferta inicial de ações. “Foi possível comprovar a viabilidade da abertura de capital aos órgãos reguladores”, disse Antonio Julio Gualter, gerente de Business Intelligence da operadora de planos de saúde.

De acordo com, ele o trabalho de inteligência foi importante nos processos de aquisições de 11 empresas entre 2005 e 2009, além de garantir suporte às equipes de vendas e contribuir para as ações de mitigação de riscos da carteira de clientes. “Para a Amil, BI é um triângulo no qual cada lado é igual, representando tecnologia da informação, administração e marketing.”

Marco Dyodi Takahashi, diretor de Indicadores do Negócio da NET, do segmento de TV a cabo e banda larga, avalia que o BI é fundamental para aprimorar a qualidade da oferta de serviços. “Para que funcione, deve-se instituir um modelo de governança, com papéis e responsabilidades bem definidas em relação aos indicadores”, apontou.

Para Gustavo Zanardi Chicarino, diretor de Estratégia, Marketing e Novos Negócios da Endered Brasil, que atua no segmento de cartões e vouchers de serviços pré-pagos e é proprietária da marca Ticket, BI contribui para estratégias de vendas direcionadas, conforme as particularidades dos mercados de nove regiões identificadas pela empresa no País.

“Ao analisarmos nossos clientes, notamos que as vendas de um segundo produto são mais fáceis do que as do primeiro”, acrescentou sobre outra oportunidade que foi captada, de venda de mais produtos para os clientes já existentes.

 

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