Outplacement ganha força no Brasil onde maioria das demissões ocorre por questões comportamentais

por daniela publicado 29/11/2010 15h40, última modificação 29/11/2010 15h40
Porto Alegre - Empresas mantêm programas para afastar colaboradores de forma transparente e humanizada, evitando riscos de reputação, explica diretor da Produtive.

Cada vez mais, as companhias estabelecidas no Brasil apostam em programas de outplacement, que envolvem planejamento das demissões, comunicação eficiente e acompanhamento dos profissionais para que as saídas não sejam traumáticas para ambos os lados. Isso se deve ao fato de a grande maioria dos afastamentos ocorrer por problemas comportamentais, explica Rafael Souto, diretor da consultoria Produtive.

 

“Qualquer mágoa ou ressentimento que o funcionário demitido mantiver com a empresa gerará impacto direto na gestão da marca. É importante fazer esse processo de demissão responsável e acompanhamento da transição para outro emprego no momento em que esse profissional levará o nome da empresa em seu currículo e meio social”, explicou Souto no comitê de Gestão de Pessoas da Amcham-Porto Alegre na sexta-feira (26/11).

 

Segundo ele, superada a crise financeira internacional, as demissões no meio corporativo mudaram o foco. Antes, o motivo principal era a reestruturação administrativa para equilibrar as contas das organizações. Já em 2010, o que se vê em pesquisa realizada pela Produtive com empresas clientes em São Paulo e Porto Alegre é que 70% dos desligamentos tiveram origem comportamental, 20% foram ligados ao desempenho dos funcionários e apenas 10% relacionados a reestruturação.

 

A Produtive mapeou também as principais falhas cometidas pelas corporações no bojo dos desligamentos dos colaboladores e que devem ser corrigidas: falta de clareza na comunicação; políticas de restrição, como retirar a senha do computador antes mesmo de o profissional sair da companhia; fugir do contato com o demitido e não dar espaço para ele falar; e, ainda, demitir de forma ou no momento errado, como anunciar o rompimento do contrato de trabalho mas não definir uma data de saída oficial ou afastar próximo às festas de fim de ano ou data de aniversário.

 

“As empresas ou consultorias de outplacement dão informações, avaliação e feedback antes da demissão para que o profissional entenda os motivos da insatisfação. Além disso, executam o processo de transição de carreira, com prospecção de mercado ou auxílio para montar um negócio. Realizando esse serviço, o profissional leva, em média, de quatro a seis meses para se recolocar no mercado”, explicou Souto.

 

Outplacement

 

Os programas de outplacement chegaram ao Brasil na década de 80, mas se desenvolveram, segundo o consultor, a partir da abertura da economia do País em 1990, quando o mercado de trabalho ficou mais competitivo. Nos últimos 15 anos, triplicou o número de empresas especializadas nessa atividade.

 

A prática, chamada também de demissão responsável, teve início no Estados Unidos e é muito difundida na Europa, onde em alguns países é obrigatória por lei.

 

“A demissão responsável, isto é, o desligamento feito de forma transparente e humanizada, permite ao demitido refletir e seguir a carreira, sem causar danos à empresa”, concluiu Souto.

 

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