Para Abinee, acordo sobre logística reversa de eletrônicos precisa de ajustes

publicado 14/05/2015 15h40, última modificação 14/05/2015 15h40
São Paulo – Responsabilização de toda a cadeia pela prática e participação do consumidor no custeio são alguns dos pontos defendidos pela associação
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Já foram completados quatro anos de discussão sobre o acordo setorial que deve colocar em prática e regulamentar a logística reversa de eletrônicos no Brasil, prevista pela Política Nacional de Resíduos Sólidos. Para a Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica), é preciso fazer alguns ajustes para que ele seja firmado.

Além da regulamentação para que todos os atores da cadeia tenham as mesmas responsabilidades, a associação defende a participação do consumidor no custeio da logística reversa. “A Europa pratica isso há anos e vem funcionando. O consumidor paga uma taxa na compra do produto para custear o descarte”, destacou Ademir Brescansin, gerente de Sustentabilidade da instituição, em palestra ao comitê estratégico de Finanças da Amcham-São Paulo, em 14/05.

Para isso, ele defende a necessidade de rever a tributação dos produtos, não prejudicando os consumidores. “Supondo que o fabricante de computadores pague R$ 1 por produto antes de vender, queremos que esse valor chegue igual ao consumidor e ajude a custear a logística reversa”, explica.

Outras medidas pedidas pela Abinee são o claro reconhecimento de que o descarte do produto implica na perda do bem, impedindo a devolução dele ao consumidor quando já estiver na logística reversa, além de uma campanha de conscientização da importância de entregá-lo ao fabricante.

Segundo Brescansin, o apego que algumas pessoas têm com os eletrônicos é uma das barreiras do processo. “A logística reversa não existe sem a ação do consumidor de entregar o produto que já não tem utilidade. A PNRS diz que é uma obrigação, mas se a pessoa não quiser se desfazer do equipamento, não podemos fazer nada”, diz.

A associação também pede o reconhecimento de que os produtos descartados não representam perigo para o meio ambiente e as pessoas que vão manuseá-los durante a coleta, a triagem e o transporte. “Atualmente, temos apenas uma norma que diz o que é perigoso ou não”, conta.

O acordo pode trazer outras vantagens além da proteção ao meio ambiente, como a criação de novos negócios, de acordo com Brescansin. “A indústria de reciclagem existe, mas não tão forte. Com a obrigatoriedade, várias empresas vão ter que ser abertas no Brasil para ajudar na reciclagem. Assim, mais pessoas serão contratadas e a arrecadação do país aumentará”, ressalta. 

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