Para Ana Fontes (Rede Mulher Empreendedora), ser dona do dinheiro é ser dona das próprias decisões

publicado 19/10/2017 13h27, última modificação 07/11/2017 17h19
São Paulo – Fundadora da plataforma colaborativa compartilha a importância do empreendedorismo
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Ana Fontes, da Rede Mulher Empreendedora: “Podendo se sustentar, a mulher pode ficar com quem quiser por opção, e não por falta dela”

Uma intrigante mensagem de agradecimento recebida por Ana Fontes, fundadora da plataforma Rede Mulher Empreendedora, fez com que ela entendesse o verdadeiro propósito de seu negócio: promover a autonomia financeira das mulheres. “Quando você é dona do dinheiro, é dona das decisões”, disse, na Reunião Especial do Comitê de Secretariado da Amcham – São Paulo na quinta-feira (29/9).

A empreendedora conta que, em 2014, recebeu o e-mail de uma mulher de Minas Gerais reconhecendo que as dicas de empreendedorismo da rede a ajudaram a organizar seu negócio e, ao mesmo tempo, se separar do marido. Preocupada, Fontes disse ter “surtado”. “Estamos causando divórcios e a minha primeira reação foi de não dormir”, recorda-se.

Conversando com a mulher, ouviu dela que, quando o pequeno negócio começou a dar certo, conseguiu obter uma renda mínima suficiente para sair de uma relação abusiva e financeiramente dependente. “Isso acalmou minha cabeça e fez despertar o propósito da rede: oferecer independência financeira”, detalha.

O caso da empreendedora mineira mostrou como a troca de experiências pode alavancar um negócio e criar empoderamento, opina Fontes. “Com essa capacidade de se sustentar, a mulher pode ficar com alguém por opção, e não por falta dela.”

Criada em 2010 por Ana Fontes e uma sócia, a Rede Mulher Empreendedora tem hoje mais de 300 mil empreendedoras cadastradas que compartilham conteúdos, dicas e experiências sobre como abrir um negócio.

A Rede surgiu de uma insatisfação de Fontes com uma determinada situação. Na época, ela havia sido uma das 40 selecionadas pela FGV para um disputado curso gratuito de empreendedorismo. Ao descobrir que outras mil mulheres se candidataram e não foram selecionadas, Fontes decidiu criar um blog para transmitir o conteúdo aprendido no curso.

“Em três meses, o blog tinha dez mil seguidoras. Para dar conta de tudo, chamei colaboradoras que escreviam sobre temas como Marketing, Vendas e Gestão”, disse Fontes. Foi o início da Rede Mulher Empreendedora, plataforma de conhecimento que cresceu trinta vezes em sete anos.

A empreendedora criou um negócio de visibilidade em função de uma causa pessoal e o perfil do público. “As mulheres são muito prestativas, gostam de ajudar umas às outras”, observa. “Claro que dinheiro é importante, também eu tenho que pagar contas. Mas ele é consequência do trabalho”.

Para a executiva, é preciso aliar motivação com atitude empreendedora. “Resolver problemas sempre me motivou. E todo empreendedor gosta de resolver coisas, seja em um negócio ou na própria empresa”, afirma.