Para cientista político, Marina Silva tem chances reais de se eleger presidente

publicado 20/08/2014 12h41, última modificação 20/08/2014 12h41
São Paulo – Heni Cukier, da Insight Geopolítico, disse que Marina é a preferida dos indecisos e mais jovens
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O cientista político e professor de relações internacionais Heni Ozi Cukier, da consultoria Insight Geopolítico, vê chances reais de a ex-senadora Marina Silva (PSB) vencer a disputa presidencial de outubro, caso oficialize sua candidatura.

“Marina representa a alternativa outsider, atraindo os votos dos indecisos, nulos, em branco e dos mais jovens. Em eventual segundo turno com a presidenta Dilma Rousseff (PT), ela não só manteria os votos desses segmentos, mas também herdaria mais eleitores de Aécio Neves (PSDB) do que o contrário”, afirmou, na reunião conjunta dos comitês estratégicos de Diretores Comerciais e de Marketing da Amcham – São Paulo, na quarta-feira (19/8).

Cenário pós-Eduardo Campos

Cukier admite que o cenário eleitoral está em aberto, apesar de as projeções terem sido feitas com base em informações preliminares e baseadas no desempenho passado de Marina. A única certeza apontada pelo especialista é que o desaparecimento do candidato Eduardo Campos (PSB) – morto em acidente aéreo no dia 13 – do cenário eleitoral criou o mais alto clima de incerteza desde a redemocratização do país, em 1985.

“Marina não demonstrou experiência em gestão administrativa e ainda precisa apresentar suas propostas para a economia. Ela é uma excelente articuladora política, mas parte do empresariado desconfia de suas posições ideológicas mais radicais”, detalha Cukier.

Setores da economia, como o agronegócio e energético, aguardam as propostas de Marina com expectativa, aponta o cientista político. Algumas das posições ambientalistas e de preservação da natureza da ex-senadora se revelaram antagônicas em relação a ambos os setores, lembra Cukier.

O desempenho de Marina

Cukier voltou a mencionar os dados da pesquisa Datafolha para evidenciar a posição privilegiada de Marina. A ex-senadora tem o menor índice de rejeição (11%) dos principais candidatos: Dilma é reprovada por 34% dos respondentes e Aécio, por 18%.

Na pesquisa de opinião do Datafolha para o jornal Folha de S.Paulo divulgada na segunda-feira (18/8), Marina tem 21% das intenções de voto. Dilma lidera a pesquisa, com 36%, e Aécio está encostado em Marina, com 20%.

No levantamento anterior do Datafolha, de 17 de julho, Dilma e Aécio apresentaram os mesmos percentuais da pesquisa mais recente (36% e 20%, respectivamente). O então candidato Eduardo Campos (PSB) tinha 8% das intenções de voto.

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