Para Comerc Energia e Mattos Filhos, mercado de gás sofre com preço externo e falta de regras claras

publicado 06/04/2015 09h35, última modificação 06/04/2015 09h35
São Paulo – Até 2020, consumo industrial de gás deve aumentar de 28 milhões de metros cúbicos para 42 milhões m3
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Para a Comerc Energia e o escritório Mattos Filho Advogados, o mercado de gás industrial no Brasil tem dificuldades de crescer em curto prazo por causa da queda nos preços internacionais e incerteza jurídica.

“O gás que importamos, tanto o GNL (gás natural liquefeito, para uso doméstico) como o boliviano usado na indústria, são atrelados ao petróleo. A queda do seu preço afeta diretamente o preço do gás. Por outro lado, o câmbio também influencia, pois se o petróleo cai o câmbio sobe, afetando negativamente os importadores”, comenta Pedro Franklin, diretor da Comerc Energia, no comitê de Energia da Amcham – São Paulo, na terça-feira (31/3).

Giovani Loss, sócio especialista em petróleo e gás do escritório Mattos Filho Advogados, disse que o preço atual do petróleo não incentiva os operadores a acelerar projetos de expansão de gás nos próximos meses. “A extração do gás do pré-sal (localizado nas jazidas de petróleo) é para médio prazo. Como o petróleo está na casa dos 50 dólares (metade do preço de 2008, quando o petróleo do pré-sal foi descoberto), não há pressa em explorar esses insumos.”

As perspectivas de desenvolvimento rápido do setor também esbarram na falta de políticas de incentivo e divergências regulatórias entre a União, estados e municípios, comenta Loss. “Não se consegue incentivar o mercado de gás só com aumento de consumo. O governo precisa mostrar mais iniciativa para regular o mercado livre e melhorar a licitação de novos gasodutos.”

Melhoras nos próximos anos

Franklin acredita que, em médio e longo prazos, o gás será certamente mais competitivo no Brasil. “Haverá novos ofertantes a partir de 2018, vindos do pré-sal, da produção onshore (em terra) e de importações”, afirma.

“Temos que desenvolver novos produtores para que o preço se torne, de fato, mais competitivo. Não dá para conviver com um preço que está mais que três vezes o do gás americano. Essa competitividade precisa ser desenvolvida para o consumo deslanchar”, disse Franklin.

Nos próximos cinco anos, o consumo do mercado industrial de gás deve aumentar de 28 milhões de metros cúbicos para cerca de 42 milhões, de acordo com Franklin.  Apesar de todo o crescimento, é preciso incentivar a entrada de novos operadores.

Como exemplo, Franklin comenta que a perspectiva de redução dos investimentos da Petrobras em novos gasodutos deve abrir espaço para novos operadores. “A Petrobras já manifestou a intenção de se desfazer de alguns ativos para fazer caixa, incluindo distribuidoras de gás natural e gasodutos. Se isso realmente acontecer, vai permitir que outros produtores condensem e transportem o gás para a indústria”, estima o consultor.

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