Para economista, desafio do próximo governo é retomar o ritmo de crescimento

publicado 01/10/2014 08h59, última modificação 01/10/2014 08h59
São Paulo – Caio Megale, do Banco Itaú, disse que economia terá desempenho fraco em 2014 e um pouco melhor em 2015
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De acordo com o Itaú, o grande desafio do próximo presidente do Brasil será reequilibrar o dinamismo econômico. “Teremos crescimento baixo em 2015, mas ele voltará gradativamente em 2016. A dúvida é saber com qual velocidade isso vai acontecer”, disse Caio Megale, economista sênior do Banco Itaú, durante o seminário Brasil 2015 – Perspectivas para o País, realizado pela Amcham – São Paulo na terça-feira (30/9).

O Itaú revisou sua projeção de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) em 2014, de 1,9% no começo do ano, “uma estimativa considerada até pessimista na época”, para os atuais 0,1%. Já a expectativa de expansão em 2015 é um pouco melhor: 1,3%.

Megale afirma que somente os fatores externos não explicam o péssimo desempenho da economia brasileira até agora. A China reduziu as compras de commodities brasileiras, o que diminuiu as receitas de exportação, mas há fatores domésticos envolvidos. Entre eles, o elevado comprometimento da renda, a alta de preços e os benefícios fiscais para incentivar o consumo.

Os quatro fatores de desequilíbrio econômico

Enquanto a demanda continua aquecida, a produção industrial ficou estagnada. “A população continua consumindo muito, mas o nível de atividade manufatureira permanece nos mesmos níveis de 2007. Para compensar a procura, tem havido mais importações [encarecendo o produto final]”, comenta Megale. Nos últimos quatro anos, o economista aponta que o aumento do déficit em conta corrente saltou de 1% do PIB para 4%. “Saiu de R$ 20 bilhões e foi para R$ 80 bilhões.”

O comprometimento maior da renda da população é o segundo fator apontado por Megale. Os níveis atuais não são preocupantes, mas “deixa consumidor e bancos mais conservadores”. “Nos últimos anos, a renda não cresceu na mesma velocidade que a tomada de empréstimos.”

A inflação mais alta, terceiro ponto, é causada pelo consumo aquecido e baixa oferta de produtos. O controle dos preços administrados [telefonia, energia e combustíveis] pelo governo não tem se mostrado eficiente, de acordo com o economista.

“No ano passado, a inflação foi de 6%, sendo que a alta foi de 8,5% nos preços livres e 1% nos administrados. Se há preços que sobem e outros não, uma hora acontece de eles subirem de vez. O preço da energia, por exemplo, tende a continuar baixo para rebalancear a economia, mas não sei por quanto tempo.”

O quarto e último fator apontado pelo economista são os benefícios fiscais para o consumo. Boa parte deles, como a isenção de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para carros e eletrodomésticos, implicou em desoneração tributária e conseqüente queda na arrecadação.

A alta do consumo não veio acompanhada de expansão industrial. “A receita [de impostos] continua baixa e o governo tem que fazer ajustes, pois não consegue mais estimular a economia por desoneração tributária”, comenta.

Para o economista, o governo precisa preparar o crescimento dos próximos meses. “Os desequilíbrios que se acumularam em 2013 vão exigir uma parada técnica em 2014 para rebalancear a economia.”

 

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