Para o RH ser estratégico, é preciso se apoiar em tecnologias

publicado 24/11/2017 14h25, última modificação 24/11/2017 15h19
São Paulo – Inovações digitais podem ajudar no processo de transição da área ao automatizar processos
comitê de vendas.jpg

Especialistas durante reunião do Comitê de Vendas e Distribuição da Amcham – São Paulo

Hoje, a área de Recursos Humanos é muito mais voltada para a parte operacional. No futuro, o setor deve se adaptar para se tornar mais estratégico. Essa é a visão de Edson Bertolari, diretor de Recursos Humanos da Coty. O empresário, que participou do Comitê de Vendas e Distribuição da Amcham – São Paulo no dia 17/11, acredita que o meio de alcançar esse cenário é através da tecnologia.

“Hoje, na pirâmide do RH, a estratégia é uma pequena parte, poucas empresas têm isso mais forte. A maior parte do trabalho fica na operação, nas transações. E isso é importante mesmo, não tem sentido ser estratégico e não pagar folha de pagamento. Mas precisamos fazer um trabalho de sistemas e processos para que essa pirâmide se inverta, reduzindo a parte transacional”, analisou o especialista.

Uma das chaves para que isso aconteça é justamente o desenvolvimento de novas tecnologias para a área. Ele dá como um exemplo a revolução tecnológica no setor financeiro – através de aplicativos de bancos, é possível realizar diversas operações. Para gestão de pessoas, ter sistemas que possibilitassem um certo grau de auto atendimento facilitariam essa transição da área. Um aplicativo em que o colaborador pudesse acompanhar seu banco de horas ou pudesse entrar com um pedido de férias é o que ele vê como ideal.  “Na nossa área, quase tudo que o empregado precisa ele busca alguém para tirar dúvidas ou resolver questões porque os sistemas não são bons. Não dá pra ser assim, precisa reduzir isso”, opina.

Ricardo Kitajima, diretor de Recursos Humanos da Honda, compartilha que a área da organização é dividida: enquanto duas partes trabalham com a folha de pagamento e legislação trabalhista, a outra é mais focada no que ele chamou de grandes questões do RH: cultura, engajamento, pesquisa de clima, resultado de áreas, plano de ação, atração e retenção de talentos.

Um dos desafios das organizações é encontrar um candidato ideal nesse momento de mudança dos negócios mais tradicionais. Nesse caso, para Kitajima, o RH deve atuar percebendo quais são os colaboradores que já estão na empresa, mas que ainda não estão olhando as tendências e pensar em como atuar nessa inovação junto ao gestor das áreas. Isso é primordial na área de Vendas. “Comercial é a mais demandada nesse momento, é natural que ela é que demande atividades pra nós, principalmente em recrutamento”, avalia.

Na ArcelorMittal, um dos principais desafios na gestão de pessoas também é relacionada a recrutamento. Atrair talentos jovens em um setor que é tão tradicional como a siderurgia é a preocupação no momento. Mauricio Pedro Simadin De Melo, gerente Nacional de Coordenação Comercial da empresa, ressalta a importância da capacitação: a organização está trabalhando com universidade corporativa, e treinamento online. O “treinar na prática” é o que têm dado melhores resultados para a multinacional. “Acreditamos no treinamento, em colocar a liderança na mentoria, mas também na postura de sair da sala de aula e aprender na prática”, afirma.