PCHs têm potencial de 21 mil MW a serem explorados nos próximos 50 anos

por marcel_gugoni — publicado 31/07/2012 12h48, última modificação 31/07/2012 12h48
Recife – Aumento de competitividade das Pequenas Centrais Hidrelétricas é desafio para setor energético.
mozart.jpg

Um potencial elétrico de 21 mil megawatts (MW) pode ser explorado pelas Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) no Brasil nos próximos 40 a 50 anos. Para que esse número se concretize, é fundamental a ampliação da competitividade dessa fonte energética, sobretudo frente à geração eólica. As perspectivas são de Mozart Siqueira, CEO da Brennand Energia. 

Leia mais: Adriano Pires: Preço alto retarda desenvolvimento do mercado energético de gás no Brasil

“A região Sul é muito favorável, particularmente o Paraná e o Rio Grande do Sul por possuírem quedas em abundância. Porém, a principal fronteira de expansão continuarão sendo Mato Grosso e Mato Grosso do Sul”, declarou Siqueira, que participou do comitê de Energia da Amcham-Recife em 23/07. 

A porção Norte do País também apresenta grande potencial e deve se tornar mais atrativa à medida que as linhas de transmissão forem ampliadas para a região, conforme analisa o executivo. 

Leia mais: Brasil e EUA têm potencial para liderar mercado de energias renováveis

De acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), PCH é toda usina hidrelétrica de pequeno porte cuja capacidade instalada esteja entre 1 MW e 30 MW, com área de reservatório de água inferior a 3 quilômetros quadrados (km²). 

Um dos principais entraves para a maior competitividade das PCHs é a velocidade de aprovação desses projetos, o que na avaliação de Siqueira, ainda é lento e atrapalha seu maior desenvolvimento. A desoneração tributária também é fundamental para o setor. “A PCH paga vários tributos e não consegue passar esses custos adiante”, afirma. 

Baixa no mercado 

Nos últimos anos, a energia eólica se tornou a principal concorrente das PCHs. Segundo Siqueira, fatores como a redução do custo de produção de energia a partir do vento em 2010 e 2011 e a descoberta de novos ciclos eólicos regulares no Brasil deram maior destaque a essa fonte. “Os últimos leilões de energia quase não tiveram a participação de PCHs” disse. 

Leia mais: Brasil tem três Belo Monte adormecidas nos canaviais, diz presidente da Unica

Adicionalmente, o aquecimento do mercado nacional de construção também contribuiu para um movimento de queda no mercado das PCHs, encarecendo os insumos da montagem das usinas, a exemplo do cimento. “As obras da Copa 2014, do Minha Casa Minha Vida e a construção de outras usinas de maior porte acabaram completando esse movimento econômico”, afirmou. 

Perspectivas positivas para 2013 

Apesar da diversificação de a matriz energética brasileira ter acirrado a competição no mercado de energia recentemente, Siqueira se mostra otimista quanto às PCHs em 2013. 

Para ele, contam como pontos positivos nessa perspectiva a entrada de novas empresas de pequeno e médio porte nos negócios e a recente alta do dólar, o que deve dificultar a evolução do mercado eólico, bastante atrelado à moeda americana. 

Quer participar dos eventos da Amcham? Saiba como se associar aqui

Ele comenta que a cadeia produtiva das PCHs é inteiramente nacional. Isso fortalece a fonte. Além disso, o palestrante destaca que o setor tem se preparado, buscando financiamentos estruturadores para os negócios. A Brennand Energia já prevê a construção de três novas centrais em 2013. 

Mercado livre de energia 

Respondendo atualmente por 4% da matriz energética nacional, as PCHs encontram no mercado livre de energia seus principais compradores. 

Veja aqui quais são as vantagens de ser sócio da Amcham

“A maioria dos consumidores especiais brasileiros compra sua energia das pequenas centrais hidrelétricas. Certamente outras fontes como a eólica e a biomassa também participam, mas a participação das PCHs é majoritária”, comenta.

registrado em: