Pequenas e grandes empresas devem investir em planejamento estratégico estruturado

por giovanna publicado 12/11/2010 18h36, última modificação 12/11/2010 18h36
São Paulo – Ferramenta prevê comunicação eficiente e ajuda a reforçar controles internos e gerenciar riscos.
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Assim como as de grande porte, as pequenas e médias empresas (PMEs) necessitam desenvolver um planejamento estratégico criterioso, que seja reavaliado constantemente e conhecido por toda a organização. Esse planejamento deve prever uma comunicação interna e externa eficiente, reforçar controles internos, ajudar no gerenciamento de riscos e buscar a inovação, tópicos fundamentais para a saúde e o sucesso do negócio como um todo e de cada um de seus projetos.

“Na preparação das estratégias, as companhias precisam cada vez mais se estruturar para responder não só à diretoria, mas também a agências de rating, bancos, investidores e reguladores. Isso demanda conhecer bem os objetivos do negócio, ter uma comunicação adequada e um processo claro de gestão dos riscos, e evidenciar a responsabilidade sobre a execução e os resultados dos projetos, informando a quem cabem as decisões”, indicou Alex Borges, gerente sênior de Soluções para Empresas Emergentes da Deloitte. Ele participou do Workshop Planejamento Estratégico e Gestão de Projetos promovido pela Amcham-São Paulo nesta quinta-feira (11/11). O evento integra o programa Business in Growth (BIG) da Amcham.

Borges explicou que, em tempos de grande concorrência e crescentes exigências do mercado, é uma vantagem competitiva comunicar o que a companhia faz e dar visibilidade aos investimentos e aos fatores que os justificam. Também do ponto de vista do público interno, a boa comunicação é essencial por indicar o papel de cada um e em que momento atuar, além de a quem recorrer, se necessário, para garantir a execução dos projetos. Essa transparência, elemento-chave dos princípios de governança corporativa, é um importante diferencial para empresas de qualquer tamanho.

Gestão de projetos

Outro ponto sobre o qual o workshop da Amcham se debruçou foi a gestão de projetos pelas companhias. Arthur Amaral, gerente de Consultoria em Projetos da Deloitte mostrou que, mesmo diante da cada vez maior complexidade do ambiente de negócios e das próprias organizações, o sucesso nesse tipo de gestão vem aumentando.

Ele citou a pesquisa Chaos Report 2009, realizada pelo Standish Group International para avaliar negócios em todo o mundo. De acordo com o estudo, a taxa de projetos bem-sucedidos nas empresas é hoje de 32%, o dobro em relação ao percentual identificado em 2004 (data de início do levantamento).

Apesar desse evidente avanço, o relatório também capta pontos de atenção: atrasos e insucessos na execução de projetos. Nada menos que 63% dos programas iniciados não respeitam os prazos estabelecidos; 45% estouram o orçamento previsto; e 33% não atendem ao escopo inicial.

Dados de outro levantamento, o Estudo de Benchmarking em Gerenciamento de Projetos Brasil 2009, realizado pelo Project Management Institute (PMI), mostram uma realidade bastante parecida no País. O estudo demonstra que as dificuldades mais frequentes encontradas em projetos por aqui são: comunicação (76%); não cumprimento de prazos (71%); mudanças constantes no esboço original (70%); e falta de definição adequada do escopo (61%).

“Apesar de a taxa de casos de êxito ter aumentado em função da melhoria de muitos fatores associados a instrumentos de gestão, a quantidade de insucessos e outras falhas ainda é muito grande, o que é extremamente preocupante”, alertou Arthur Amaral.

Em que pesem os erros, o ponto positivo é que as companhias vão ganhando maturidade, um processo que as ajuda a evitar problemas futuros. “A maturidade de gestão nos processos corresponde a ter uma estrutura de controles e um maior acesso a informações, que, por sua vez, melhoram a capacidade de decisão e a probabilidade de sucesso na execução”, afirmou Amaral.

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