Perfil do profissional do marketing muda com as ‘tensões’ do mundo

publicado 31/03/2016 15h27, última modificação 31/03/2016 15h27
São Paulo – Mais versátil, profissional terá de lidar com o crescimento da classe média e da conectividade globais
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As grandes transformações sociais e econômicas globais estão moldando o perfil do novo profissional de marketing segundo Marisabel Ribeiro, gerente da consultoria Korn Ferry Hay Group. Ela participou do comitê de Marketing da Amcham – São Paulo, quinta-feira (31/03), junto com o italiano Marco Tronchetti, diretor de Marketing da Pirelli para a América Latina, Fernando Cosenza, diretor de Marketing estratégico, Inovação e Digital na Sodexo, e Pedro Fernandes, gerente de Marketing & Trade Marketing na Wickbold.

Para Marisabel, cinco “tensões” estão forçando esse processo de transformação: conectividade globalizada; influenciadores informais e concorrência pela atenção; crise econômica internacional; crescente exigência do consumidor; e a quarta revolução industrial (altamente baseada em tecnologias).

“O novo profissional de marketing tem de responder a essas tensões”, disse a consultora, Ela ainda citou o crescimento da classe média mundial e o fato de que 40% da população estará conectada pela web, entre as transformações marcantes.

Para se tornar “querido” pelas organizações, acrescentou Marisabel, o profissional deve aprender a trabalhar diferente e a viver em conectividade. “Hoje, as pessoas assistem à TV conectadas no smartphone”, ressaltou.

O profissional, a seu modo de ver, terá de reinventar o mundo do trabalho. “Hoje ele é quadrado e esse formato talvez não permita viver esse ‘novo’”, pontuou.

Ele precisa entender, segundo ela, que a nova forma de mobilizar as pessoas é a empatia, aliar o lado analítico com o criativo. “No primeiro, há preocupações como big data, retorno de investimentos, análise de cenário, pesquisas de mercado e margem de lucro. No segundo, estão o marketing de experiência, a inovação, a concorrência, a customização e os diferentes canais”, lembrou.

A visão dos executivos

Já para o italiano Marco Tronchetti, o novo profissional de marketing deve apresentar características e atitudes do tipo “must have”, que não dá pra não ter. A primeira é estar antenado ao mercado. Sem isso, não há como afinar produtos e serviços adequados para cada empresa, exemplificou.

Além disso, precisa ter flexibilidade e agilidade para atuar na velocidade do mercado. E mais: atuar como vendedor, negociador e político. “Todos nós estamos negociando o tempo todo, em algum nível, dentro ou fora da empresa”, comentou.

É desejável, ainda, que esse profissional seja generalista e especialista, ao mesmo tempo, e fazer um equilíbrio entre vida pessoal e trabalho. “E ele tem de fazer mais com menos: trabalhar mais, com equipe mais enxuta e com menor budget. Pode chorar ou trabalhar melhor e se organizar”, destacou.

Fernando Cosenza, diretor de Marketing estratégico, Inovação e Digital na Sodexo, avisa que não é escandaloso assumir que ninguém sabe, exatamente, qual é esse novo perfil do profissional de marketing: “Porque estamos vivendo uma revolução de tecnologias em que o mais importante não são elas em si, mas os impactos delas”.

Para ele, o novo perfil exige que o profissional de marketing seja “always beta”, uma alusão à versão beta dos processos de inovação, em que o projeto está na fase de desenvolvimento e testes. “Ele tem de estar sempre se construindo”, explicou.

Ele lembrou que, por mais que existam informações disponíveis a todo mundo, as ocorrências que provocaram maiores e definitivas mudanças, recentemente, foram imprevistas, como o 11 de setembro e a crise de 2008. “Depois que eles ocorrem, todo mundo diz ‘mas é claro que isso aconteceria’. E por que não os evitamos? Há muita informação não utilizada que só complica”, avaliou.

O ideal, segundo ele, é que diante desses aspectos os profissionais sejam multidisciplinares para contribuírem com as empresas na organização das ideias. “Tem que ser diplomata e político para construir pontes com outras áreas dentro da organização”, afirmou.

Engenheiro de alimentos de formação, Pedro Fernandes, gerente de Marketin & Trade Marketing na Wickbold, disse que não há um modelo fechado de profissional de marketing e que o perfil é moldado pelas necessidades das empresas. Segundo ele, “há profissionais de marketing de diversas orientações: para produto, vendas, comunicação”. “O perfil do profissional vem do que a empresa espera da área de marketing”, complementou.

Isso definido, para Fernandes, a principal característica do profissional deve ser a versatilidade e a atenção ao consumidor, que está constantemente em mutação. “Hoje ele é emissor e tem opinião que pode ter mais efeito do que mídia tradicional”, ponderou.

Ele defendeu que o papel tradicional do marketing, de estudar o mercado e o público, ainda tenha importância para profissional de hoje. “Historicamente, o marketing tem o papel de liderança porque está à frente do negócio, olhando estrategicamente, entendendo o business como um todo”, definiu.

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