Pernambuco crescerá até dois pontos percentuais acima da média brasileira nos próximos anos, estima economista

por andre_inohara — publicado 29/11/2012 18h43, última modificação 29/11/2012 18h43
Recife – Qualificação de mão de obra, ampliação da capacidade de inovação e desenvolvimento da infraestrutura urbana são desafios para a nova dinâmica econômica.
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Bons resultados para a economia de Pernambuco são esperados nos próximos oito anos, principalmente devido aos investimentos estruturadores e ao desenvolvimento de novas cadeias produtivas. Sérgio Buarque, economista e sócio da Factta Consultoria, Estratégia e Competitividade, estima que a evolução da economia do Estado fique um ou dois pontos percentuais acima da média nacional no período.

“Os números exatos dependerão do desempenho do Brasil, mas, com o volume de investimentos locais previstos, é provável que o Estado mantenha essa diferença em relação ao desempenho nacional, conforme já temos observado”, afirmou Buarque durante o lançamento do comitê estratégico de Business Affairs da Amcham-Recife na última quarta-feira (28/11).

Os investimentos previstos para os próximos anos em Pernambuco já ultrapassam R$ 65 bilhões, de acordo com Buarque. A maioria dos aportes se concentra nas cadeias de petróleo, gás, offshore e naval; química e petroquímica; metalurgia e produtos de metal; e indústria automotiva.

“A economia estadual se reestrutura em torno de duas novas cadeias de grande envergadura e elevada capacidade de geração de negócios”, destacou o economista em referência à cadeia de petróleo, gás e offshore e à indústria automotiva, impulsionadas pela implantação da Refinaria Abreu e Lima, de novos estaleiros e da fábrica da Fiat, respectivamente.

Desafios

Buarque afirma que, apesar do cenário positivo e da euforia do mercado local, há pontos de estrangulamento que demandam cautela de governos e empresários. Um dos principais é a qualificação de mão de obra.

O economista identifica uma “restrição estrutural” em Pernambuco, onde não é possível capacitar os profissionais rapidamente devido à falta de atenção à educacional básica no passado.

“Apesar dos esforços governamentais para atualização rápida dos profissionais de acordo com as exigências do mercado, muitas pessoas não são qualificáveis. A educação veio se arrastando negativamente por um tempo e as pessoas saíram do ensino médio com baixa proficiência em português e matemática”, analisa.

Buarque aponta duas saídas para enfrentar o problema. A primeira é qualificar rapidamente, buscando suprir a demanda das novas cadeias produtivas em desenvolvimento; a segunda é começar esforços na área educacional de base para garantir que em dez ou 20 anos a mão de obra esteja preparada para adaptações às tendências de mercado.

Focar apenas na urgência, em sua opinião, seria um erro. “O curto prazo costuma conspirar contra o futuro porque se concentra em as ações nas emergências. É preciso ter cuidado para que a urgência não contamine o planejamento estratégico”, disse.

Inovação e adensamento de novas cadeias produtivas

As empresas locais inovam pouco, constata Buarque. Ele cita dados do IBGE, segundo os quais, em 2008, 31,5% realizaram algum tipo de inovação. O resultado está abaixo de Estados como São Paulo (36,4%), Bahia (36,5%), Santa Catarina (37,9%) e Ceará (40%).

O economista comenta que trabalhar a favor da inovação é essencial para que as empresas regionais participem do adensamento das novas cadeias produtivas. “Os novos empreendimentos possuem alta exigência de tecnologia e, no geral, as empresas não estão preparadas para as novas demandas. É preciso agilizar a incorporação de inovações tecnológicas”, afirma.

Esse processo, sugere Buarque, pode ser acelerado se as empresas locais realizarem alianças estratégicas com companhias que já possuam experiência nesses segmentos.

“Tem que haver um esforço das empresas pernambucanas para se nivelar às especificações das novas indústrias em instalação. Isso significa inovação e investimento em melhoria dos processos e produtos, o que leva tempo. Por isso, a aliança com outras empresas pode ser um caminho”, completou.

Mobilidade e infraestrutura urbana

Apontados como um dos principais entraves para a competitividade das empresas pernambucanas, os gargalos de mobilidade e infraestrutura urbana tendem a se agravar nos próximos anos, prevê o economista.

Quase a totalidade (98,74%) dos investimentos produtivos em Pernambuco se concentra no eixo litorâneo que inclui a região metropolitana de Recife. Buarque completa apontando que apenas a o território estratégico de Suape, no litoral sul, soma 77,4% destes aportes.

“Haverá um grande adensamento da concentração da economia e será preciso um enorme esforço para reorganização do espaço urbano como solução para o problema da mobilidade”, afirma.

Comitê estratégico de Business Affairs

A reunião inaugural do comitê estratégico de Business Affairs da Amcham-Recife reuniu presidentes e diretores de empresas associadas à entidade e membros do conselho regional da Amcham.

O grupo se encontrará bimestralmente para debater as principais perspectivas econômicas regionais e os desafios para o empresariado. A próxima reunião acontece no início de 2013.

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