Perspectiva de redução de recursos no BNDES não deve afetar capacidade de financiamento do banco

publicado 20/06/2016 10h36, última modificação 20/06/2016 10h36
São Paulo – Governo quer que banco antecipe devolução de R$ 100 bilhões ao Tesouro até 2018
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Mesmo que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) seja obrigado a antecipar um pagamento de R$ 100 bilhões ao Tesouro Nacional para reduzir a dívida pública, continuará tendo condições de financiar projetos de infraestrutura e energia, disse Fernando Camargo, sócio-diretor da LCA Consultores. “A partir de 2017 e 2018, se espera uma retomada suave de investimentos. Somado a isso, o atual patamar de recursos do BNDES permite acreditar que há dinheiro suficiente para equilibrar a oferta e demanda por financiamento de longo prazo”, afirma, no comitê de Energia da Amcham – São Paulo na sexta-feira (17/6).

A dívida do BNDES com o Tesouro Nacional é estimada em R$ 500 bilhões com vencimentos que vão até 2060, mas o novo governo determinou que o banco antecipe a devolução de R$ 100 bilhões até 2018, alegando sobra de caixa. A medida aguarda a conclusão de estudos legais para a sua adoção.

Apesar da possibilidade de captar recursos privados no mercado de capitais, o economista disse que o financiamento público nas obras de infraestrutura é o mais competitivo do mercado. Por isso é importante avaliar corretamente o efeito das medidas de antecipação de pagamento. “É preciso ter um cuidado imenso na hora de saber quanto o BNDES tem de recursos disponíveis para financiar o longo prazo e pagar ao Tesouro antecipadamente.”

Sem crédito público, Camargo disse que os investimentos ficarão comprometidos, “principalmente em um momento em que o financiamento privado não vai voltar”. No curto prazo, nenhum banco privado deve atuar nesse mercado em função da baixa confiança na economia e juros elevados.

Como o BNDES estima uma geração de caixa de R$ 459 bilhões nos próximos três anos, originária principalmente do recebimento de empréstimos contratados e recursos do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador), a devolução de R$ 100 bilhões deixaria o banco com R$ 359 bilhões. Isso seria suficiente para cobrir a demanda de R$ 318 bilhões em empréstimos no período de 2016 a 2018. O montante foi estimado pelo próprio banco.

 Trilhões para projetos de energia renovável

Para Lilia Caiado, coordenadora do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), o investimento em fontes renováveis de energia são uma tendência mundial para ajudar a reduzir o aquecimento climático. Mas para isso, será preciso investir muito dinheiro.

“Na COP-21 (conferência internacional do clima), um dos assuntos mais discutidos foi o financiamento climático. Temos que investir trilhões de dólares por ano para alcançar a meta de conter o aumento da temperatura média global em dois graus Celsius”, afirma.

Para desenvolver o financiamento privado de projetos de energia, o CEBDS propõe a utilização de mecanismos alternativos como títulos de dívida ligados a critérios de sustentabilidade, e um fundo de hedge cambial que proteja os investimentos estrangeiros da variação de moeda estrangeira, para criar tecnologias renováveis alternativas.

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