Pesquisa Deloitte: salários no Nordeste são, em média, 30% mais baixos que no Sul/Sudeste

por giovanna publicado 17/11/2011 18h48, última modificação 17/11/2011 18h48
Recife – Diferença é menor em cargos de alta direção e aumenta na base da pirâmide hierárquica.
foto_cristiano_lopes.jpg

Na média geral, os salários pagos no Nordeste são 30% mais baixos do que no Sul e no Sudeste. A diferença é menor para os cargos de diretoria (7%) e gerência (15%) e cresce à medida que cai a exigência de qualificação. Em cargos como auxiliar de serviços gerais, a disparidade chega a 49% de diferença. Os dados são da pesquisa Remuneração Nordeste 2011, desenvolvida pela consultoria Deloitte e apresentada por Cristiano Lopes, gerente de Desenvolvimento Humano da companhia, na Amcham.

“A pouca diferença nos cargos de alta gestão é resultado do momento econômico que estamos vivenciando. Até 2007, víamos uma migração muito grande de profissionais em cargos de decisão do Nordeste para o Sul e o Sudeste. Com o crescimento econômico do Nordeste, o fluxo se inverteu”, comentou Lopes, que participou nesta quinta-feira (18/11) do encontro dos comitês de Gestão de Pessoas e Economia e Finanças da na Amcham-Recife.

O estudo foi realizado em fevereiro com 58 empresas com atuação na região Nordeste dos segmentos de serviços, alimentos, comércio, saúde e metalurgia/química.

Extremos

Os maiores salários no Nordeste são para os cargos de diretor-presidente (média de R$ 47.475,00 mensais) e diretor financeiro (média de R$ 36.338,00 mensais). Já no Sul/Sudeste, os mesmos cargos recebem em média R$ 50.900,00 e R$ 39.776,00 mensais, respectivamente.

A diferença entre regiões aumenta no outro extremo da lista. No Nordeste, auxiliar de serviços gerais e ajudante de cargas são as funções de menor remuneração média (R$ 618,00 mensais), ao passo que, no Sul/Sudeste, embaladores e mensageiros recebem os menores salários, uma média mensal de R$ 727,00 e R$ 758,00, respectivamente.

Na análise de Lopes, a diferença entre os salários da alta gestão entre o Nordeste e o Sul/Sudeste deve continuar a diminuir nos próximos anos, motivada principalmente pelo bom momento econômico vivido pelo Nordeste. “Os profissionais de alta gestão ou alta especialização, como técnicos, exigem mais investimentos em capacitação. Além disso, é difícil encontrar pessoas disponíveis e qualificadas no mercado para ocupar esses cargos”, explicou.

Ele analisa ainda que o quadro de diferença entre a remuneração em cargos de baixa necessidade de especialização não deve mudar nos próximos anos.

Concessão de benefícios

A pesquisa da Deloitte registrou ainda o aumento no número de benefícios concedidos pelas companhias. Entre os principais, estão assistência médico-hospitalar, fornecida por 95% das empresas entrevistadas, e auxílio refeição, concedido por 84% das companhias ouvidas.

Lopes comenta que o principal destaque foi o crescimento na concessão do auxílio educação, concedido por 64% das empresas pesquisadas neste ano. Na última edição do levantamento, realizada em 2009, o benefício era oferecido por 54% das companhias.

De acordo com o gerente da Deloitte, essa evolução pode ser explicada por fatores como necessidade de capacitar mão de obra especializada, grande disputa por talentos e chegada de novas companhias de grande porte à região. 

“As grandes organizações que estão se instalando no Nordeste chegam com planos de carreira e pacotes de benefícios bem definidos. Em busca de maior competitividade, as empresas locais começam a revisar sua política de concessão de benefícios”, comentou Lopes.

 

registrado em: