Preparo é fundamental não só em navegação, mas na vida, afirma navegador Vilfredo Schürmann

por andre_inohara — publicado 08/12/2011 17h42, última modificação 08/12/2011 17h42
André Inohara
São Paulo – Velejador contou suas experiências em alto mar e como elas podem ser aplicadas ao cotidiano na Amcham.
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Em momentos de extrema pressão, a calma e o treinamento são fundamentais para se tomar as decisões corretas.

“Antes de sair para o mar, prepare-se em terra”, recomenda o navegador Vilfredo Schürmann, que participou do comitê de Secretariado Executivo Amcham-São Paulo na quarta-feira (07/12).

Schürmann e sua família foram os primeiros brasileiros a circunavegar o mundo em um veleiro, em 1994. Em seguida, refizeram a rota do navegador português Fernão de Magalhães (1480-1521), o primeiro a atravessar o Oceano Pacífico pelo Atlântico, via Patagônia (extremo sul das Américas).

Schürmann conta que, durante uma viagem na Nova Zelândia, ele e sua família de velejadores enfrentaram uma tempestade com ondas de 10 metros de altura e ventos de 135 km/h.

Segundo o velejador, a velocidade foi semelhante à do furacão Katrina, que devastou a cidade americana de Nova Orleans em 2005. A embarcação onde estavam perdeu dois mastros, mas ele e sua equipe saíram ilesos.

“Sabíamos os procedimentos para enfrentar uma tempestade”, contou Schürmann. Para exemplificar, mencionou o primeiro treinamento de homem ao mar de que participou.

“Esperei trinta minutos pelo resgate. Se isso acontecesse na Patagônia, teria morrido por causa da hipotermia”, comentou.

Preparação

É preciso se preparar para todo tipo de situação, ensina o navegador. “Fiquei mais de dois meses com meu dentista aprendendo procedimentos dentários. Minha esposa passou um mês no pronto socorro onde o irmão dela, que é médico, mostrou como tratar fraturas e outros acidentes.”

Também é necessário aprender habilidades pessoais, como trabalhar em equipe. Em um ambiente de confinamento, como um barco de 44 metros quadrados, é fundamental o exercício da convivência.

Uma das expedições de Schürmann durou 35 dias e a tripulação era formada por cinco nacionalidades diferentes. “Procurávamos falar, na medida do possível, o idioma de cada um. Eles ficam orgulhosos em ouvir um ‘bom dia’ ou ‘obrigado’, e isso foi um aspecto diferenciado.”

Comunicação clara, uma virtude essencial

A comunicação clara também é uma competência importante, segundo Schürmann. “Quando passo uma rota ao navegador, digo que o rumo não é duzentos e sessenta graus. É dois meia zero, tenho de fazê-lo entender”, reforçou.

Uma diferença de dez graus pode ser o que define uma navegação segura de um acidente. Da mesma forma, as profissionais de secretariado também precisam se valer de uma comunicação objetiva, comparou.

“Quem é secretária tem de anotar tudo, não confiar apenas na comunicação verbal. É fundamental ser claro e organizado”, afirmou velejador.

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