Produtividade brasileira é cinco vezes menor que a de países ricos, diz assessor do Ministério da Fazenda

publicado 20/10/2017 11h01, última modificação 20/10/2017 11h25
São Paulo – Para João Mello, Brasil precisa ser mais eficiente como um todo, e não só em alguns setores

Nos últimos anos, o Brasil aumentou sua força de trabalho, capital humano (habilidades profissionais) e físico (equipamentos produtivos), mas o país “misturou mal” os ingredientes e isso impediu o país de alcançar um potencial maior de produtividade. É o que afirma João Manoel Pinho de Mello, chefe da Assessoria Especial de Reformas Microeconômicas do Ministério da Fazenda.

“Mantendo a estrutura atual da economia brasileira, mas com uma eficiência similar à da Alemanha e EUA em cada um dos setores, nossa produtividade do trabalho cresceria incríveis 450% [ou cinco vezes mais]”, compara Mello, no CFO Fórum da Amcham – São Paulo na quinta-feira (19/10).

Mesmo na comparação com países emergentes, como a Turquia, o desempenho brasileiro é inferior. Para Mello, a conjunção de problemas estruturais e medidas econômicas que não surtiram os efeitos desejados foi o motivo do baixo desempenho.

“A mistura foi mal feita. O diagnóstico da administração anterior era que os fatores de produção estavam errados. Se temos pouca indústria e muito serviço, tinha que tirar pessoas e máquinas de serviços e colocar na indústria. Essa foi a estratégia”, conta.

Segundo o especialista, os resultados não foram os esperados porque era preciso desenvolver a economia como um todo. “O problema da produtividade é transversal a todos os setores. Não é ter mais indústria, agricultura ou varejo. É aumentar a produtividade em todos os setores”, acrescenta.

É por esse motivo que o governo prepara medidas para incentivar a produtividade nacional, baseadas em redução da burocracia e o custo de fazer negócios, e incentivo à facilitação do comércio.

Para combater a burocracia, algumas medidas são o de simplificar o pagamento de impostos e acelerar a adoção de sistemas eletrônicos de escrituração digital, como o e-social e a nota fiscal eletrônica de serviços. O governo também trabalha na revisão e integração dos governos federal, estadual e municipal para a facilitação de abertura e fechamento de empresas.

A facilitação de comércio será feita com a expansão do programa de Operador Econômico Autorizado (OEA), espécie de cadastro positivo para exportadores com bons antecedentes, e a Janela Única para exportação e importação.

Com isso, as empresas eliminariam muito tempo na preparação e entrega de documentos aos diversos órgãos responsáveis pelo comércio exterior, como a Receita Federal e o Siscomex. “O objetivo é diminuir 90% do tempo de processos aduaneiros”, segundo Mello.

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