Produtividade está diretamente relacionada à felicidade, segundo consultora

publicado 25/09/2013 17h09, última modificação 25/09/2013 17h09
São Paulo – Empresas começam a adotar conceitos de FIB - Felicidade Interna Bruta
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A confirmação científica de que colaboradores engajados com os objetivos da empresa são os mais produtivos reforça a adoção de políticas de bem-estar e indicadores formais de felicidade nas empresas. “O funcionário feliz é o principal fator de produtividade das empresas, porque faz tudo melhor”, afirma Susan Andrews, coordenadora do Instituto Visão Futuro.

“Ele tem atitudes positivas, que estimulam a produção de dopamina (hormônio que causa a sensação de bem-estar) e estimula os centros de aprendizado do cérebro”, explica a consultora, durante o comitê de Gestão de Pessoas da Amcham – São Paulo da quarta-feira (25/9).

No Brasil, o instituto de Susan atua na disseminação dos conceitos de Felicidade Interna Bruta (FIB). Trata-se de um indicador desenvolvido no Butão (Ásia), que mede não apenas o desenvolvimento econômico do sistema (empresas, cidades e estados), mas também a conservação do meio ambiente e a qualidade de vida (uso equilibrado do tempo, cuidados com a família e práticas de bem estar).

Trazendo a necessidade de bem estar para o âmbito empresarial, Susan cita dados de que a maior causa do estresse dos profissionais brasileiros é o trabalho diário, de acordo com 93% dos pesquisados, e 86% deles são acometidos de dores musculares como um dos reflexos da rotina cansativa. Práticas diárias de relaxamento e treinamento da respiração são recomendadas, afirma Susan. “Uma respiração adequada baixa naturalmente o cortisol (hormônio causador do stress).”

A motivação pessoal é outro elemento fundamental para desenvolver bem estar. Para desenvolvê-la, a consultora defende que as pessoas se esforcem para encontrar um propósito na vida. “Se dedicar a uma meta maior dá sensação duradoura de bem estar. Que as pessoas trabalhem não apenas visando adquirir coisas, mas também para contribuir com o progresso da sociedade”, afirma.

FIB na Cemig

Na Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais), conceitos de FIB foram adotados em 2010. “Queríamos trazer qualidade de vida às pessoas que fosse além de palestras e eventos que organizávamos. São elas que trazem os resultados”, aponta Maria Helena Barbosa, gerente de provimento e desenvolvimento humano da Cemig.

Dois projetos foram aplicados, um no sul de Minas Gerais e outro em Belo Horizonte. Os exercícios físicos propostos pelo FIB tiveram que vencer a resistência inicial dos colaboradores, conta Maria Helena. “As equipes comprovaram o bem estar físico e psicológico por meio de movimentos fáceis de executar.” Os resultados do programa motivaram a Cemig a expandi-lo para as demais unidades, segundo a executiva.

Os fatores que geram felicidade

Pesquisando os principais fatores que geram contentamento nas empresas, Elmano Nigri, sócio-diretor da consultoria Arquitetura Humana, listou cinco deles. O primeiro é a necessidade das pessoas de se relacionar com as demais, a segunda é ter desafios. A terceira é o acesso compartilhado a informações e o quarto, a necessidade de auto-realização, ou “sentir competente”. E a quinta é a liberdade para tomar decisões.

Em contrapartida, Nigri também revelou os três maiores problemas enfrentados pelas organizações. O primeiro é a falta de comunicação clara. “As pessoas pensam uma coisa e querem que as outras adivinhem o seu desejo, sem avisá-las previamente”, comenta o consultor.

O segundo é a falta de trabalho em equipe que, junto com a primeira causa, leva ao terceiro problema: o desalinhamento de objetivos. “O convívio social, indispensável na esfera pessoal, também tem que ocorrer no ambiente de trabalho”, recomenda Nigri.

Formas de melhorar a qualidade de vida

Há várias formas de as empresas criarem condições favoráveis para a felicidade dos colaboradores, mas o engajamento é o principal, concorda Guilherme Cavalieri, diretor de RH da Serasa Experian. “As pessoas só se engajam quando têm um propósito”, afirma Cavalieri.

Entre as opções, está um plano definido de carreiras, treinamento de lideranças democráticas e clima organizacional harmonioso. Cavalieri também disse que a Serasa Experian trabalha com o conceito de integração da vida pessoal e profissional.

“Do lado profissional, ajudamos na capacitação, planejamento e desenvolvimento de carreira. Mas oferecemos cursos de artes (teatro, coral), estimulamos ações voluntárias e de cuidados com a saúde, para incentivar o lado pessoal”, comenta Cavalieri.

Contraponto

Apesar da boa vontade das empresas em melhorar a qualidade de vida de seus funcionários, toda adesão precisa ser voluntária, ressalta Ana Cristina Limongi-França, coordenadora da FIA (Fundação Instituto de Administração) e do Núcleo de Gestão da Qualidade de Vida no Trabalho da USP (Universidade de São Paulo).

“Também é importante que as organizações criem cultura de confiança. As pessoas não podem se sentir ameaçadas caso se recusem a aderir a determinados programas”, destaca Ana.

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