Profissionalização da empresa familiar é fundamental para continuidade no mercado

por giovanna publicado 25/10/2011 18h43, última modificação 25/10/2011 18h43
Curitiba – Estatísticas mostram que 67% das organizações desse tipo encerram as atividades por problemas de sucessão. Processos estruturados de governança corporativa são caminho para garantir manutenção das atividades.

Com a finalidade de assegurar sua sobrevivência, as empresas familiares devem migrar para o conceito de família empresária, ou seja, uma administração profissionalizada, defende Manoel Knopfholz, diretor de Desenvolvimento de Negócios da Universidade Positivo e ex-diretor do Núcleo de Governança da Família Empresária da FAE Consulting e da Brain Alinhamento Estratégico.

Ele explica que as companhias familiares apresentam a sobreposição de três ativos – família, patrimônio e empresa – e isso acaba por comprometer os resultados e colocar em risco a própria permanência no mercado.

“Se não houver discernimento entre cada um dos ativos, é inevitável que a empresa familiar se torne um problema enunciado. Agora, se houver a percepção de que é preciso governar cada um desses ativos de forma diferente, ocorrerá a migração para o conceito de família empresária, no qual a chance de sobrevida é maior”, afirmou Knopfholz no debate de Gestão de Pessoas, promovido pela Amcham-Curitiba, nesta terça-feira (25/10).

Knopfholz apontou ainda que, no Brasil, 85% das empresas são de caráter familiar. Desse total, 67% encerram suas atividades por problemas de sucessão e menos de 50% chegam até a quinta geração, justamente pela falta de governança entre os ativos. 

Profissionalização

Para evitar o fechamento das companhias, torna-se inevitável que desenvolvam processos estruturados de sucessão e governança corporativa. Segundo Marilene Zazula Beatriz, doutora em Psicologia Social e especialista em Gestão de Pessoas, ambos os procedimentos exigem um conhecimento profundo da cultura organizacional das empresas. “Os processos costumam ser longos e diferentes em cada uma”, indicou a especialista.

Também na opinião de Knopfholz, a profissionalização é um elemento indispensável. Ele destacou cinco pontos que devem acompanhar a empresa nesse movimento: direcionamento, diálogo, decisão, desenvolvimento e disciplina.

O professor avalia que a presença de um agente transformador é outra peça fundamental para a sucessão e a governança. Esse agente, como lembrou Marilene, pode estar justamente na geração mais nova da família.

Benefícios e obstáculos

Na opinião dos dois palestrantes, os processos de sucessão e de governança estão atrelados à permanência das empresas no mercado.   “O maior benefício é a perpetuidade, a sobrevivência da companhia”, explicou Knopfholz. Já para Marilene, a vantagem principal está no fortalecimento da companhia, impactando positivamente seus resultados.

Os especialistas ponderam que esse processo de profissionalização pode ser dificultado pelas relações emocionais familiares, marcadas por aspectos subjetivos. “É preciso reconhecer e aproveitar os valores da empresa familiar, mas é fundamental saber renová-los”, sugeriu.

 

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