Profissões do futuro se concentram nas áreas de sustentabilidade, inovação, comércio internacional e qualidade de vida

por daniela publicado 10/11/2011 14h23, última modificação 10/11/2011 14h23
Daniela Rocha
São Paulo - Para James Wright, coordenador da consultoria Profuturo da FIA, esses setores serão os pilares para o crescimento econômico do País nos próximos anos.
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As profissões do futuro no Brasil estarão ligadas às áreas de sustentabilidade, inovação, comércio internacional e qualidade de vida. É o que aponta uma pesquisa junto a 112 altos executivos no País, conduzida pela consultoria Profuturo (Programa de Estudos do Futuro) da Fundação Instituto de Administração (FIA) e reforçada por diversas outras sondagens informais.

Segundo o professor James Wright, coordenador da Profuturo, a economia brasileira tem apresentado consistentes avanços. Porém, ele avalia que o País possui uma série de desafios para atender as crescentes necessidades das classes emergentes e, ainda, conquistar um novo patamar no mercado global, uma vez que as commodities brasileiras tendem a sofrer maior concorrência, principalmente de países africanos.

“Precisamos atuar para agregar valor aos produtos e serviços, o que requer sustentabilidade, inovação e entendimento de mercados internacionais. Esses serão os pilares para uma nova fase de desenvolvimento. O Brasil está evoluindo para um novo patamar de renda e será importante criar formas de atender as necessidades de qualidade de vida e lazer de todos os consumidores”, explicou Wright, que também coordena MBA Executivo Internacional da FIA. Ele participou nesta quinta-feira (10/11) do comitê de Gestão de Pessoas da Amcham-São Paulo.

Novas áreas profissionais

O professor comentou quais serão as novas carreiras com maiores oportunidades nos próximos anos:

• Gerente de Eco-relações: com a função de comunicar e trabalhar com consumidores, grupos ambientais e agências governamentais para desenvolver e maximizar programas ecológicos (72% dos respondentes);
•  Chief Innovation Officer: com a responsabilidade de interação com diferentes áreas da organização para pesquisar, projetar e aplicar inovações (67%);
•  Gerente de Marketing e-Commerce: com objetivo de desenvolver e implementar estratégias web para vender produtos e serviços (46%);
•  Conselheiro de Aposentadoria: profissional responsável por ajudar a planejar a aposentadoria (39%);
• Coordenador de Desenvolvimento da Força de Trabalho e Educação Continuada: responsável por gerenciar programas para ajudar funcionários a atingirem níveis avançados em suas áreas de especialização. (35%);
• “Bio-informationists": com a função de trabalhar com informações genéticas, servindo como uma ponte para cientistas que atuam no desenvolvimento de medicamentos e técnicas clínicas (34%);
  Técnico em Telemedicina: especializado em oferecer tratamento médico e diagnóstico para pessoas em áreas remotas (34%).

Conforme James Wright, o País já vivencia uma situação na qual as corporações passam a burcas profissionais para preencher vagas que não contam com formações específicas. Desta forma, a tendência é de intensificação dos programas de desenvolvimento e capacitação internos, que podem ter apoio de instituições de ensino.

Por sua vez, ele avalia que as universidades têm sido pioneiras na disseminação de conceitos inovadores e estão mantendo diálogo com as empresas. “O papel da universidade não é oferecer somente formações específicas e técnicas, mas desenvolver nas pessoas a capacidade crítica e de pensar mais criativamente”, destacou. Nesse sentido, os profissionais terão maior capacidade de adaptação às constantes mudanças que vêm sendo impostas.

A pesquisa da Profuturo identificou ainda as carreiras tradicionais que serão mais demandadas: Engenharia Ambiental, Engenharia de Alimentos, Engenharia de Computação, Relações Internacionais, Turismo, Farmácia, Bioquímica e Administração de Empresas.

Estímulo aos jovens

O Google investe em treinamentos, incluindo a preparação de pessoas para atuarem em funções que ainda não contam com cursos formais. No entanto, além de capacitar profissionais, a companhia aposta na preparação do próprio mercado de tecnologia.

“Buscamos formar  todo ‘ecossistema’, não apenas os funcionários. Por exemplo, atuamos na capacitação de agências de publicidade e de equipes de vendas sobre as ferramentas que auxiliam nos negócios ou sobre a possibilidade de anúncios em mídias diferentes das tradicionais, como no You Tube”, comentou Monica Santos, head de Recursos Humanos do Google na América Latina.

Segundo ela, é fundamental que se estimulem os jovens para que escolham as carreiras promissoras, onde haverá vagas de empregos. “Dentro das escolas, no Ensino Médio, é preciso despertar o interesse pela engenharia de software, por exemplo.”

Monica acredita que os profissionais terão de desenvolver competências voltadas para a inovação. “As pessoas devem ser mais preparadas para lidar com mudanças e com ambiguidades”, disse.

Para retenção de talentos em um mercado competitivo, a executiva do Google disse que a companhia privilegia a carreira em Y, modalidade na qual os técnicos recebem novos desafios e estímulos financeiros, sem necessariamente assumir a gestão de pessoas.

Ética requisitada

Alessandro Vay, gerente de Recursos Humanos da Samsung, que também participou do debate na Amcham, avaliou que a área de Marketing será uma das mais importantes nos próximos anos. “Será necessário desenvolver produtos e serviços que façam parte das vidas das pessoas. Para isso, serão fundamentais profissionais conectados com ideias”, afirmou.

As carreiras ligadas a sustentabilidade e compliance (ações para conformidade com leis e regulamentações) seguirão em alta. “A atuação  ética será cada vez mais exigida pela população”, acrescentou.

De acordo com Vay, o mundo precisará lidar com questões relacionadas à escassez de recursos naturais e à destinação adequada de resíduos. “No caso da Samsung , vemos que é preciso interagir com a sociedade. Não basta apenas vender aparelhos eletrônicos, é preciso estabelecer planos para posterior descarte e reciclagem”, concluiu.

 

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