Programas do governo federal e da ONU apresentam parâmetros para diversidade nas empresas

publicado 04/09/2015 12h02, última modificação 04/09/2015 12h02
São Paulo – Avon e Coca-Cola debateram na Amcham como aplicar os princípios na prática
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"Como avançar com as políticas de diversidade dentro das empresas" foi o tema do Encontro Sobre Diversidade na Amcham – São Paulo, quinta-feira (03/09). Simone Schaffer, coordenadora-geral de Autonomia Econômica das Mulheres na Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM); e Adriana Carvalho, assessora para Empoderamento das Mulheres na ONU Mulheres, fizeram a exposição dos programas pró-equidade do governo brasileiro e da ONU. Em seguida, participaram do debate com Raïssa Lumack, vice-presidente de Recursos Humanos da Coca-Cola e Maria Elisa Curcio, diretora de Relações Governamentais da Avon, empresa signatária dos dois programas.

Os programas Pró-Equidade de Gênero e Raça, da Secretaria de Políticas para as Mulheres do governo federal e Women’s Empowerment Principles (Princípios de Empoderamento das Mulheres), da ONU Mulher, são parâmetros para empresas públicas e privadas iniciarem seus próprios planos de diversidade. O primeiro, do governo federal, se encaminha para a sexta edição e reconhece com selos as empresas com boas práticas. O segundo também oferece prêmios global e nacional. Ambos são voluntários e contêm princípios de diversidade e empoderamento feminino para empresas públicas e privadas de portes variados. Confira no vídeo abaixo mais informações sobre a promoção da igualdade de gênero realizada pela ONU Mulher.

 

 


Participar das etapas iniciais do Pró-Equidade de Gênero e Raça já traz informações e indica caminhos às companhias, afirma. “O ganho de aprendizado para a organização é muito forte”, garante. Conheça mais sobre o Programa Pró Equidade de Gênero e Raça, da SPM, e os Princípios de Empoderamento das Mulheres, da ONU, clicando aqui.

A experiência da Avon

Maria Elisa conta que a empresa saiu de sua zona de conforto quando iniciou seus estudos, embalada pelo programa. A companhia, que tem como visão “ser a que melhor entende e satisfaz as necessidades de produtos, serviços e auto-realização das mulheres,” identificou pontos em que teria que avançar.

“Para cada ponto do programa, fizemos metas, ações e mensurações para todos os níveis organizacionais. As metas são auto-declaratórias de onde você quer chegar; esse é o sucesso do selo”, avalia.

Uma das consequências foi a criação do comitê de gênero e raça. Com isso, a questão racial também passou a ser considerada desde as seleções para estágio até os demais cargos. “Usando o selo como ferramenta, conseguimos olhar para dentro de forma crítica e mais fácil de ser gerida,” relata.

 

A iniciativa da Coca-Cola

A Coca-Cola, também signatária dos programas, é outra companhia global que encampou a defesa da equidade de gêneros. O objetivo da companhia é ter 50% de mulheres em seus quadros até 2020, no mundo todo. “Nos 206 países em que atuamos, não existe minoria mais comum do que a de mulheres”, comenta Raïssa Lumack, vice-presidente de Recursos Humanos.

Ela conta que, em 2008, a empresa passou a se questionar sobre o tema ao considerar que as mulheres são quem decide sobre o consumo de seus produtos. Uma das ações foi a criação de conselhos mundial, regionais e locais para identificar práticas e políticas que atrapalham o crescimento das mulheres na companhia.

A empresa convidou especialistas para ajudarem no diagnóstico e a estruturar o plano. O programa desenvolvido pela companhia não contempla apenas retenção, mas também o desenvolvimento de carreira. “Passados três anos, podemos dizer que criamos uma alta sensibilidade na companhia, e o presidente lidera essa agenda,” declara.

No início, surgiram desafios entre grupos de homens e mulheres. Se alguns deles reclamavam que elas teriam suposta vantagem, muitas delas se recusavam a crescer por meio de benefícios, como se não fosse por mérito próprio. O obstáculo foi vencido com as próprias ações de conscientização. “Foi uma descoberta (da falta de equidade) conjunta, homens e mulheres na mesma sala. Hoje, muitos homens relatam o aprendizado de olhar para as mulheres no mercado de forma diferente, inclusive dentro de casa,” conta a executiva.

Encontro Diversidade São Paulo do dia 3/9

 

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