Qualidade de vida no trabalho tem de envolver todos os departamentos e não apenas RH

por simei_morais — publicado 11/03/2013 11h05, última modificação 11/03/2013 11h05
São Paulo – Além de ter benefícios no curto prazo, gestão de qualidade de vida no trabalho gera valor agregado à empresa, aponta professora.

Se qualidade de vida é um tema amplo, no trabalho ele também se expande e ultrapassa os limites do departamento de Recursos Humanos. O ideal é que o conceito seja incorporado por toda a empresa, de tal forma que se estabeleça como um valor agregado da instituição, sustenta Ana Cristina Limongi França, professora da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA/USP).

A docente, que coordena o Núcleo de Gestão da Qualidade de Vida no Trabalho, fez palestra no comitê estratégico Gestão de Pessoas da Amcham-São Paulo na última quinta-feira (07/03). Ela falou ao site após discutir com gestores de pessoas formas de alcançar maior bem-estar no mundo corporativo.

Segundo Ana Cristina, é preciso analisar as relações no trabalho e fazer sua gestão com o foco em benefícios externos (corpo) e internos (emocional) para a saúde dos funcionários. O conceito, porém, não deve se limitar ao departamento de Recursos Humanos.

“Esse assunto não perpassa apenas os recursos humanos, mas também envolve saúde, segurança e imagem da companhia”, explica.

Valor agregado

A professora entende que, se o tema for incorporado a todas as atividades corporativas, gera valor agregado para o negócio. “Tudo o que a empresa faz bem feito aumenta o valor das ações, se ela tiver capital aberto, e se reflete inclusive em relações comerciais diferenciadas”, exemplifica.

Segundo Ana Cristina, a maioria das empresas ainda não compreende de modo amplo o comportamento dos profissionais, apesar de os índices de assédio moral e depressão ainda serem altos no ambiente corporativo.

Ela propõe uma agenda de qualidade de vida com foco biológico (hábitos saudáveis), psicológico (autoestima e conhecimento), social (educação e consumo) e organizacional (ergonomia e clima), e diz que cada empresa deve analisar o que, dentro desses parâmetros, pode ser feito na prática para ter efeito positivo sobre a vida dos funcionários.

“É possível haver ações comunitárias, de saúde, artísticas e de outras áreas. Um coral, por exemplo, pode melhorar muito a vida social das pessoas. Quanto mais saudável é a vida social, mais produtivas as pessoas se tornam”, cita.

Durante a atividade laboral, o conceito deve virar prática. Ana Cristina alerta que não há mais espaço para autoritarismos. A hora é de uma gestão com base em cultura de respeito. “Isso caracteriza um olhar humanizado nas relações de trabalho. Se toda a empresa tem essa cultura, a qualidade de vida se torna o ‘bolo’ e não apenas a ‘cereja’”.

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