Que tipo de liderança as companhias globais buscam desenvolver hoje?

publicado 28/05/2015 10h05, última modificação 28/05/2015 10h05
São Paulo – Executivos e consultores apontam características que refletem na continuidade das empresas
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O Hay Group vem traçando anualmente o perfil de liderança praticado pelas companhias globais há seis anos. Se em 2009 a principal característica era de que o líder tinha que “fazer acontecer”, hoje ele é muito cobrado estruturalmente, precisa ser bom de relacionamento, ter alto foco em decisões, apresentar uma mente global e ao mesmo tempo reunir especialidades que o diferenciem em todos os sentidos.

O assunto foi o tema do comitê aberto de Gestão de Pessoas da Amcham – São Paulo na terça-feira (26/05). O debate contou com Marisabel Ribeiro, gestora de consultoria da Hay Group; Alessandro Bonorino, vice-presidente de Recursos Humanos para a América Latina na IBM; e Sandra Gioffi, diretora da Prática de Gestão de Performance Organizacional para América Latina da Accenture.

A última pesquisa do Hay Group, realizada no ano passado em 117 países, ouviu 2.154 respondentes em 100 empresas, sendo 81% de cargos de liderança. Dessas empresas, 29% estão na América Latina – metade dessas no Brasil.

A consultoria cruzou esse resultado com o de outro estudo, que aponta as tendências de liderança para 2030. As três mais fortes são alterações climáticas e impactos ambientais, mudanças geográficas e a globalização 2.0. O que isso quer dizer?

“Os líderes terão de lidar com responsabilidade social, espírito de equipe e preparação para a globalização. Ou seja, o que já precisam hoje”, pontua Marisabel Ribeiro.

Agilidade e diversidade

O perfil não se distancia do que a IBM planeja para seus líderes daqui para frente, no mundo todo. A companhia batizou de “agile leadership” o que quer desenvolver em suas unidades.

“O conceito propõe que o líder seja mais de cocriação do que hierárquico, que faça inovação em grupo e construa através de interações”, resume Alessandro Bonorino.

Essas características casam com os perfis de liderados, destaca Sandra Gioffi. Além de lidar com uma nova geração que não se dá bem com hierarquia e desconfia de autoridades, a liderança terá de atuar com profissionais mais velhos, que cada vez mais continuam no mercado, postergando a aposentadoria. “Haverá diversidade e vários modelos mentais”, cita.

“O líder não será mais hierárquico, mas do projeto. Os pares irão elegê-lo não por experiência, mas porque podem contar com ele”, afirma. A demanda dos profissionais será por uma liderança que estimule seus pontos fortes e indique o caminho que devem seguir.

Ela ressalta que, na prática, as companhias devem trazer esse conceito para suas culturas. “E promover quem faz isso e não só quem traz o dinheiro”, salienta.

Disso depende a continuação das empresas. A IBM está investindo no treinamento de seus líderes sêniores para que repliquem o modelo de “agile leadership” com seus exemplos. “Esse é um dos pilares da transformação do negócio”, diz Bonorino.

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