Remuneração variável de conselheiros independentes deve ter padrão diferenciado

por agrimaldo — publicado 31/10/2010 13h41, última modificação 31/10/2010 13h41
São Paulo - Modelo não pode ser o mesmo aplicado aos executivos, orienta gerente do Hay Group.

Ainda adotada de forma incipiente no Brasil, a remuneração variável aos conselheiros independentes deve seguir parâmetros diferentes dos direcionados aos executivos. A avaliação é de Leonardo Salgado, gerente de consultoria do Hay Group, empresa global especializada em consultoria em Recursos Humanos e gestão de negócios.

"A remuneração variável dos conselheiros independentes não deve seguir os mesmos padrões de recompensa atrelados a resultados, lucro e crescimento que são aplicados executivos. Não há uma resposta única, mas existem ferramentas de avaliação de desempenho dos conselheiros, numa visão de longo prazo, ligadas às orientações para execução da estratégia da companhia, adoção de melhores práticas, definições de processos e profissionais, além da adequação às regras e aos níveis de governança corporativa", afirmou Salgado, que participou nesta quarta-feira (06/10) do comitê estratégico de Governança Corporativa da Amcham - São Paulo.

Nos últimos anos, os conselheiros independentes passaram a assumir mais responsabilidades e riscos nas empresas, aumentando o tempo de dedicação aos negócios. A remuneração variável passou a ser utilizada como uma das ferramentas de retenção. Os Estados Unidos foram os propulsores. Por contar com muitas empresas com capital bastante pulverizado, a atuação dos conselheiros independentes ganhou ainda mais importância, e são ofertadas, inclusive, stock options (opções de compras de ações), conforme a valorização da companhia no longo prazo.

"No mercado brasileiro, as mudanças impostas às companhias listadas em bolsa de valores, especialmente no Nível 2 e no Novo Mercado (listagens de companhias na bolsa com alto comprometimento com a governança corporativa), exigiu maior profissionalização dos conselheiros, aumentou a demanda por eles,e, dessa forma, a necessidade de remunerações mais adequadas ", indicou Salgado.

 Hoje, ele estima que, no País, cerca de 10% das empresas, a maioria de capital aberto, adotam a remuneração variável aos conselheiros por meio de bônus.

O gerente do Hay Group explica que a remuneração variável dos conselheiros deve ser desenvolvida de modo a que assegure, de fato, a independência de atuação. "Não deve ser tão relevante à vida dos conselheiros a ponto de causar conflitos de interesses." Além disso, a política precisa ser comunicada de forma transparente a todos os acionistas.

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