Respeitar a diversidade pode ser caminho para lidar com gerações diferentes no trabalho

publicado 04/08/2015 10h49, última modificação 04/08/2015 10h49
São Paulo – Gestores de RH debatem perspectivas de trabalhadores de diferentes faixas etárias
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O respeito à diferença e a abertura ao diálogo podem ser a chave para lidar com trabalhadores de diferentes gerações em um mesmo ambiente, indica Renato Guimarães Ferreira, professor da FGV/EAESP, durante o comitê aberto de Gestão de Pessoas da Amcham – São Paulo, sexta-feira (31/07).

O encontro também reuniu gestores de RH que estão em diferentes fases de carreira para debater o tema: João Rached, diretor de Recursos Humanos no HSBC; Charles Lukower, diretor de RH para a América Latina da Sanofi; e Raquel Malachias, recruiter para América Latina no Google.

“Sou senior baby boomer”, brinca Rached, que diz que está na fase em que é reconhecido pelo conhecimento. “Me chamam quando há problema”, afirma. Raquel é a mais nova dos palestrantes, enquanto Lukower está “no meio”.

Os próprios convidados expõem visões distintas sobre temas que permeiam a gestão de talentos, como o modelo de liderança.

Rached diz que o ponto crucial para ser líder é ter valores e princípios. “Não dá para trabalhar com um líder que não seja genuinamente uma pessoa de valores e princípios. O profissional pode fazer muitas coisas, até tomar café com os funcionários, mas se não é genuíno, seu comportamento é circunstancial”, avalia.

Lukower relata as respostas de profissionais que ele entrevista, para ilustrar as diferentes perspectivas de acordo com as idades. Diz que toda vez que pede para lhe citarem como um líder do passado virou referência, há dois tipos de respostas.

“Da minha geração para os mais velhos, eles citam que eram líderes cumpridores de compromisso, do tipo ‘combinou, está feito’. Da minha geração para baixo, respondem duas coisas: 1) que têm dificuldade de identificar um líder porque passaram por muitos chefes, e 2) citam muito tomadas de decisão, que não saíam da sala do líder sem ter uma resposta”, conta.

Raquel compartilha a realidade de sua empresa. Afirma que os profissionais do Google priorizam espaço para produzir e encaram a liderança como liberdade para gerar e trocar experiências. O líder, diz, é considerado pelo ser humano e não apenas pelo profissional. “O ponto chave é que o líder é alguém que inspire. O significado de inspirar é muito de cada um, mas vem sendo colocada a questão ‘de que forma meu líder já contribuiu para o mundo e o que meu líder fez que me provoca a fazer também?’”, comenta. “A história do líder por trás me inspira a fazer melhor também”, complementa.

Diversidade e convivência

É para aproveitar as características de cada grupo que o professor Renato Guimarães sugere valorizar a diversidade. “Para lidar com pessoas com características distintas, que criam arranjos harmoniosos e produtivos em um ambiente em que as coisas se transformam de maneira muito rápida”, comenta.

Abrir espaço ao diálogo é essencial para alcançar esse equilíbrio, com respeito à diferença e com diálogo. “Esse é um dos temas que mais me preocupam hoje, porque as pessoas estão tão preocupadas em se apresentar e falar que há dificuldade em ouvir o outro”, expõe.

Guimarães questiona a própria divisão que se faz sobre as gerações, determinando baby boomers, X e Y com um conjunto diferente de características. Essa divisão, esclarece, foi feita nos Estados Unidos. “Será que há uniformidade de aspectos pela idade, nesse país com tantas diferenças? Não estamos falando em ficção?”, provoca.

Ele argumenta que a ascendência étnica, a região onde mora e o tipo de ensino que recebeu distinguem jovens de mesma idade que teoricamente pertenceriam a uma mesma divisão de geração. O professor defende que não se considere como um silo geracional, com características atribuídas das quais não se escapa.

“Mas que se considere o contexto geracional, em que de fato há aspectos muito nítidos, como os da geração Y: mídias sociais e enorme mobilidade, disponibilidade para mudança inclusive geográfica e laços destruídos e refeitos na velocidade que a tecnologia permite”, exemplifica.

O jovem dessa faixa, acrescenta Guimarães, valoriza sua individualidade e quer ser tratado com sua integridade, como uma pessoa diversa de outras. “Por isso deve-se puxar a questão para a ideia da diversidade. O desafio é buscar a convivência, abordando dois aspectos: a experiência pessoal do profissional e que ele possa compartilhá-la”, explica. “Essa abertura para ouvir e estabelecer comunicação é relevante”, conclui.

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