Demora para retorno financeiro afasta empresas de projetos de cogeração de energia a gás natural

por marcel_gugoni — publicado 26/03/2012 17h23, última modificação 26/03/2012 17h23
Recife – O sistema é utilizado principalmente por empresas que necessitem de energia elétrica e térmica em sua cadeia produtiva.
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O alto investimento em equipamentos e a demora para obter o retorno operacional do capital inicial são os principais motivos que afastam as indústrias da cogeração de energia a gás natural. Marco Oliveira, engenheiro Operacional da Companhia Pernambucana de Gás (Copergás), diz que o ganho operacional com o sistema começa a ser obtido de cinco a sete anos depois de sua implantação. 

A cogeração é a produção simultânea de energia elétrica e térmica ou mecânica (vapor) a partir de um único conjunto de materiais, como óleo, carvão, gás natural ou biomassa. Trata-se da geração que visa ao aproveitamento da energia que seria dissipada por outros meios.

Em torno de 70% da energia contida no combustível é sempre transformada em calor e perdida para o ambiente, independentemente do material (carvão, gás, etc). A cogeração, além de ficar com os 30% do aproveitamento do material, ainda utiliza uma grande parte dessa fatia que seria perdida.

“Indústrias que têm como premissa retornos de um a dois anos após o investimento deveriam se sentir atraídas a realizar a implantação da cogeração de energia”, comentou Oliveira, que participou do comitê de Energia da Amcham-Recife na quarta-feira (21/03).

Meio ambiente

Oliveira destaca como principal vantagem do modelo de cogeração de energia a gás o aproveitamento do combustível e o aspecto ambiental. “Tendo uma fonte única para gerar eletricidade e energia térmica você tem emissões de menor impacto ambiental”, completa.

O engenheiro explica que os valores investidos variam de acordo com o projeto de cada empresa, mas que, em média, são gastos R$ 2000 por quilowatt (kW) de potência instalada.

A cogeração através da biomassa é amplamente utilizada pelas indústrias do setor sucroalcoleiro.

“As usina queimam o bagaço da cana para gerar o vapor que movimenta turbinas para a produção de energia elétrica. As indústrias de papel e celulose também se utilizam do modelo de queima da biomassa para a cogeração”, disse Oliveira.

Já sobre a cogeração a gás natural, o engenheiro destaca seu potencial para as indústrias de cerâmica, alimentícias e de bebidas. “Empresas que precisam de calor de secagem, como a indústria de sabão em pó, também podem se beneficiar muito do modelo”, ilustra.

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