Rever modelo de negócios responde melhor aos novos desafios no mundo corporativo

publicado 03/06/2016 12h59, última modificação 03/06/2016 12h59
São Paulo - Adotar gestão mais colaborativa pode ser chave para promover inteligência coletiva, avalia especialista
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Para fazer grandes mudanças no mundo empresarial é necessário pensar em novos modelos de negócios. A avaliação é de Vicente Picarelli Filho, mentor da Picarelli Consultores Associados, que participou da reunião do comitê de gestão de pessoas da Amcham na quinta-feira, dia 02. Segundo sua avaliação, mudar o modelo de negócios para promover a inteligência coletiva é a chave do sucesso. "As pessoas têm uma inteligência individual, mas, quando estão juntas, há agregação dessas inteligências, criando insights e oportunidades.", explica.

Em função da tecnologia, da globalização, redes sociais e da intensa e mais acesso à informação, o mundo corporativo sofre mudanças intensas. Para Picarelli, isso significa que é necessário rever os modelos de negócios já consagrados, baseados em fórmulas antigas, algumas com mais de cem anos. Muitas delas ainda seguem estruturas bastante hierárquicas, em um arquétipo chamado de comando e controle. "A empresa pode desenvolver um novo serviço ou produto, mas se tomar essa decisão e não olhar para o modelo de negócios, simplesmente reproduzindo a forma como você fazia, essa provavelmente não será mais a forma adequada de fazê-lo", avalia. Além disso, com mais jovens, mulheres e minorias entrando no mercado de trabalho, há ainda uma mudança significativa no quadro da empresa, algo que deve ser levado em consideração na hora de propor um arquétipo diferente de negócio, para Picarelli.

Novas reflexões nesse sentido trazem mais arquétipos dos negócios, lembra ele. No livro de James Quigley e Mehrdad Baghai "As One: Individual Action, Collective Power", citado por Picarelli, os autores desmistificam que há apenas dois tipos de liderança nas empresas, as de controle e as de colaboração.

Através de pesquisas e observação em empresas, Quigley e Baghai chegaram a oito arquétipos diferentes, que contempla mais complexidades da gestão e dos desafios do contexto atual. Esses arquétipos explicam níveis de organização, desde modelos muito diretivos e com uma hierarquia mais sólida (Senhorios e Inquilinos), até os que promovem muita liberdade aos funcionários (Organizador de comunidades & Voluntários). O tipo de tarefa realizada pela equipe de trabalho também é avaliada, para definir se é um trabalho mais técnico (Maestros & Orquestras) ou com grande liberdade criativa (Produtores & Equipes Criativas). 

Há ainda quatro modelos híbridos, que misturam diferentes características que não se encaixam completamente nos modelos citados acima. São eles Generais & Soldados (há uma hierarquia forte e ao mesmo tempo um comprometimento com a missão coletiva), Arquitectos & construtores (colaboração entre tarefas criativas e técnicas), Treinadores & equipas desportivas (pouca hierarquia, forte identidade partilhada e tarefas técnicas) e Senadores & Cidadãos (apoiada no sentido de responsabilidade e estrutura flexível). Mais detalhes sobre os arquétipos aqui.

Rever esses arquétipos pode ajudar nos desafios que os gestores enfrentam em múltiplas dimensões, que envolvem o indivíduo, as relações interpessoais e a organização como um todo, propõe Picarelli. O objetivo é estabelecer um modelo que permita o crescimento individual das pessoas que participam da empresa, formar uma liderança efetiva e com grande desempenho, além de deixar a organização ágil e adaptativa para que ela gere valor.

Antes de estabelecer o modelo de negócios, é necessário definir as estratégias da empresa, estudar o mercado, o público alvo e a logística da entrega do produto, seja ele um serviço ou bem material, segundo o mentor. "Quando o gestor tem isso muito claro, então ele consegue escolher como quer se apresentar ao mercado", orienta. Dependendo desses resultados, algumas empresas podem preferir adotar um modelo mais voltado para a colaboração, enquanto outras podem optar por modelos mais tradicionais.

 


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