Samsung, P&G e Suzano adequam operações logísticas para enfrentar um 2016 desafiador

publicado 14/12/2015 08h45, última modificação 14/12/2015 08h45
São Paulo – Renegociação de contratos, investimentos e compartilhamento de espaço são algumas ações
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Buscando se readequar a um ritmo menor de vendas e distribuição em 2016, a Samsung tem renegociado contratos com suas transportadoras. De outro lado, a P&G conversa com seus parceiros para compartilhar operações e a Suzano Papel e Celulose, bastante influenciada pela conjuntura externa favorável aos seus negócios, investe em frota de transportes para escoar as exportações.

Essas foram algumas das estratégias compartilhadas pelas empresas no comitê de Logística da Amcham – São Paulo realizado na terça-feira (8/12), para aumentar a eficiência da cadeia logística e diminuir os efeitos de uma desaceleração nos negócios esperada para o ano que vem.

No comitê, Edson Carillo, vice-presidente de comercialização e marketing da Abralog (Associação Brasileira de Logística), traçou um cenário pessimista para a logística brasileira nos próximos anos devido à crise econômica e falta de investimentos. “Enquanto a China investe 4% do seu PIB (Produto Interno Bruto) em infraestrutura logística, o Brasil aporta 0,8% do PIB. Lembro que em 1975, era de 1,8%”, compara.

De acordo com Carillo, o déficit de investimentos em infraestrutura logística no Brasil chega a R$ 200 bilhões. “Pioramos a cada ano. Se nada for feito para o médio e longo prazo, o investidor (estrangeiro) não vai mais se interessar pelo Brasil.”

Impacto da desaceleração econômica

Diante de um cenário negativo, Samsung, Suzano e P&G focaram em eficiência na cadeia logística para diminuir o impacto da desaceleração econômica. “Temos grandes contratos com os principais transportadores. Quando o volume de distribuição cai em função do mercado, a primeira coisa a fazer é readequar os contratos à nova realidade”, revela Robert Caracik, diretor de logística da Samsung.

Isso implica redefinir rotas, frequências de entrega e uso de armazéns. “Revisamos toda a nossa malha em função da crise, mas também concentramos pequenas operações em centros de distribuição maiores”, acrescenta. O executivo recomenda às empresas se prepararem para um ano difícil em 2016.

Fabio Oliveira, diretor de logística da Suzano Papel e Celulose, classificou o próximo ano de “complicado”, mas vê perspectivas favoráveis à empresa. Apesar de a Suzano vender muito para o exterior, também precisa comprar insumos de fora.

“Estamos preocupados com o desequilíbrio entre importação e exportação. Há uma queda brutal no volume de contêineres que chegam dos portos em função do câmbio e da atividade econômica. Em compensação, todos preferem exportar”, assinala Oliveira.

Mas, apesar da crise, a empresa tem presenciado aumento de movimentação de carga nas regiões Norte e Nordeste, principalmente no agronegócio e celulose para exportação. No Sudeste, as movimentações estão mais escassas e a Suzano aproveitou para comprar caminhões a preços atrativos.

O objetivo é se preparar para atender à demanda atual e futura de transporte. “Quando a economia se recuperar, haverá aumento de demanda e a economia não estará preparada (para retomar a distribuição logística). Essa é a melhor hora para comprar caminhão”, avalia.

Na P&G, a prática de compartilhar armazéns com parceiros tem tudo para ser aplicada no Brasil. “Já fazemos isso em alguns países da América Latina, visando maior eficiência e diminuição de custos”, afirma Alexandre Perez, diretor de logística da P&G. No Brasil, a P&G cedeu espaço de um de seus armazéns no Rio de Janeiro para a Nike, para dar suporte às Olimpíadas. “Eles têm uma demanda grande para o evento, e fizemos uma parceria de compartilhamento de espaço no período anterior aos jogos.”

Todo mundo sai ganhando, declara Perez. “É bom para nós e para eles. Nosso custo logístico representa uma parte significativa do resultado, e temos que minimizar os impactos de um cenário negativo em 2016.”

 

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