Serviços, softwares de gestão e equipamentos vão puxar mercado de TI em 2017, diz executivo da Gartner

publicado 20/02/2017 10h11, última modificação 20/02/2017 10h11
São Paulo – Para Arnaldo Aimola, confiança na economia motiva investimento em novas tecnologias de informação
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A atualização de tecnologias digitais ligadas a aumento de eficiência, como softwares de gestão e integração de dados, a modernização de infraestrutura tecnológica, os serviços ligados a estas frentes de trabalho e a participação das operadoras de telecomunicações no mercado nacional de tecnologia da informação (TI) são algumas das tendências apontadas pela consultoria Gartner para o setor em 2017. “Esse ano será melhor que 2016. A demanda por tecnologia, que estava reprimida no ano passado, deve começar a ser atendida agora”, segundo Arnaldo Aimola, vice-presidente de tecnologia e telecom da Gartner. O executivo participou do comitê de Tecnologia da Informação e Comunicação da Amcham – São Paulo na quinta-feira (16/2).

Para Aimola, o contexto favorável da economia e política gerou um clima de confiança favorável aos investimentos. Além disso, muitos investimentos em modernização foram postergados no ano passado em função da crise. “Nos últimos dois anos, empresas decidiram adiar projetos e adaptar suas estruturas para durar mais um ano. Mas isso chega a um limite. Uma hora vai ser preciso aumentar a capacidade tecnológica.”

De acordo com a consultoria, a procura por softwares de aplicação empresarial (em inglês, EAS), como planejamento de recursos (ERP) e relacionamento com clientes (CRM), deve aumentar cerca de 10% este ano, enquanto que aplicativos ligados à gestão de processos (infrastructure software) devem crescer perto de 6%.

O uso de equipamentos de TI também vai aumentar. A Gartner estima que os investimentos em Serviços de TI vão subir 15,6%, e o de serviços de suporte à TI, 9,1%. “É basicamente terceirização de equipamentos e computação em nuvem”, detalha Aimola.

Outra tendência é a chegada das operadoras de telecom como provedoras de soluções de TI, o que seria uma forma de diversificação de receitas. Para Aimola, a margem de lucro que as operadoras recebem com serviços de voz e dados tem diminuído em função de modelos de negócio desfavoráveis. “Hoje, as operadoras atuam como canais de dados para empresas como Google e Netflix, que são as que mais se beneficiam do aumento do tráfego de dados. Enquanto o uso de dados cresce, a receita das operadoras está caindo.”

A entrada das telecom no mercado de TI é um movimento natural, segundo o executivo. “Elas têm capacidade de investimento, capilaridade e presença nacional, e algumas já estão vendendo tecnologia de dados. A estratégia delas não é pública, mas temos visto pelos resultados divulgados que esses investimentos vêm crescendo sistematicamente.”

Em paralelo, Aimola ressalta que elas também estão investindo em telefonia, preparando a expansão de redes de quarta (4G) e quinta geração (5G) de uso de dados e telefonia digital. No entanto, um ritmo maior de investimentos depende de regras mais claras de atuação. “Existe um ambiente complexo de leis no Brasil que gera incerteza, e que as empresas não conseguem planejar com clareza. Enquanto esse ambiente não ficar mais claro, as operadoras vão ficar atentas a outros segmentos para crescer”, destaca Aimola.

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