Setor de cartões deve crescer entre 15% e 20% anualmente pelos próximos cinco anos

por marcel_gugoni — publicado 17/02/2012 17h57, última modificação 17/02/2012 17h57
Marcel Gugoni
São Paulo – Facilidade, segurança e formalização de trabalhadores podem fazer mercado de adquirência dobrar de tamanho até o fim dos Jogos de 2016, segundo diretor da Cielo.
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A Copa de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016 são duas oportunidades imperdíveis para o setor de cartões. Esses eventos fazem Adriano Navarini, diretor de Estratégia e Planejamento Comercial da operadora de cartões Cielo, apostar em um crescimento anual entre 15% e 20% para o segmento nos próximos cinco anos, pelo menos.

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Ele considera que esses números devem se estender não só ao setor de 'adquirência', das empresas que operam as maquininhas de cartão, mas também àqueles que dependem diretamente dos pagamentos eletrônicos. “Mantidas as condições normais de temperatura e pressão, é o que prevemos”, afirma. “Nos próximos quatro ou cinco, anos esse mercado deve dobrar de tamanho.”

Ele participou na quinta-feira (16/02) do seminário Perspectivas Comerciais 2012, realizado na Amcham-São Paulo, e falou ainda sobre a ascensão da nova classe média como motor de consumo da economia brasileira. Para ele, o país tem 15 milhões de empreendedores potenciais que, ao se formalizarem, poderiam ter acesso às maquinas de cartão.

“E não é só pela segurança do plástico e da praticidade. [A maquininha] possibilita o parcelamento de uma compra. A pessoa física, o empreendedor individual, não tem como financiar o fornecedor”, avalia.

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Leia os principais trechos da entrevista com Adriano Navarini:

Amcham: Os participantes do seminário apostaram em crescimentos de dois dígitos. Qual o número exato da Cielo?

Adriano Navarini: Não costumamos fazer previsões futuras, até mesmo porque somos uma empresa de capital aberto. Nos últimos anos, o mercado de meio de pagamento eletrônico, o mercado de cartões, o mercado de 'adquirência' vem crescendo na casa dos 20%. Mantidas as condições normais de temperatura e pressão, nossa expectativa é que isso aconteça nos próximos cinco anos, com um crescimento [anual] entre 15% e 20%.

Amcham: Como a Cielo vê essa questão dos 15 milhões de empreendedores potenciais que podem passar a usar uma máquina de cartão?

Adriano Navarini: A máquina de cartão para o micro empreendedor individual e para o pequeno empresário não é só a troca do dinheiro por cartão. Além da segurança do plástico e da praticidade, ela possibilita o parcelamento de uma compra. Porque a pessoa física, o empreendedor individual, não tem como financiar o fornecedor. Ele recebe hoje para pagar o fornecedor amanhã. A partir do momento em que há uma máquina para os cartões dos clientes dele,  posso financiar essa compra por meio da antecipação de recebíveis. Não é só uma máquina para substituir os meios de pagamento. Ela é uma máquina para aumentar a venda para o empreendedor. Porque o nosso papel, afinal de contas, é investir no crescimento do País, no crescimento das empresas e na formalização desses trabalhadores. Nas cidades do interior, fora dos grandes centros principalmente, vemos uma mudança de cultura com a nossa ida a novos segmentos. Estamos conseguindo oferecer máquinas para lojas de carros e motos, que trabalham com um ticket médio alto, até bancas de jornais, que têm um ticket médio baixíssimo.  Com a Copa e a Olimpíada, temos que investir em solução e treinamento para dar uma máquina de cartão aos taxistas. Imagine a facilidade de pagar uma corrida de táxi com cartão de crédito.

Amcham: Muito se falou no seminário sobre as possibilidades das empresas para este ano  no sentido de que encontrem os Brics dentro dos Brics. Esses empreendedores fazem parte desse grupo, não?

Adriano Navarini: Não posso contar todos os nossos segredos, mas esse certamente é um deles. Todos têm investido mais [na formalização de trabalhadores e no maior acesso da classe C ao consumo]. Se antes o governo tinha o programa MEI [Microempreendedor Individual], logo vai passar a ter o EI, porque essas empresas crescem em um ritmo forte. O próprio comércio eletrônico tem dois ou três grandes empresas. Temos aí um enorme número de pequenos que têm sites de seus negócios e querem vender seus produtos. Alguns anos atrás, se formalizavam entre 300 mil e 400 mil pequenos empreendedores. No ano passado, o governo conseguiu a adesão de mais de 1 milhão. E temos um potencial de 15 milhões de trabalhadores. O que é importante dizer é que temos sempre que trabalhar com um produto específico dentro de cada segmento desse, porque cada porte e segmento de empresa tem necessidades diferentes. Um caminho em que tentamos entrar é o setor público. Eu ainda tenho mapeadas outras Chinas... 

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Amcham: ...Quais as outras Chinas?

Adriano Navarini: No governo, ainda são poucas as secretarias que aceitam cartão para o pagamento de tributos. Temos alguns casos na Bahia onde as empresas e os próprios caminhoneiros podem pagar suas taxas de imposto do ICMS com o cartão. O governo do Distrito Federal também permite o pagamento de multas com o cartão. Essa é uma China nossa, um volume enorme pouco explorado.

Amcham: Quais as expectativas da Cielo para o setor?

Adriano Navarini: Nos próximos quatro ou cinco anos esse mercado [de 'adquirência' de cartões] deve dobrar de tamanho.

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