Setores representativos da economia se mantêm otimistas para 2012

por andre_inohara — publicado 04/10/2011 17h07, última modificação 04/10/2011 17h07
André Inohara e Daniela Rocha
São Paulo – Apesar de turbulências internacionais e incerteza em relação a inflação, empresariado prevê ampliação de mercado e resultados crescentes.
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Os empresários estão confiantes de que 2012 será um ano positivo para os negócios, mesmo com a perspectiva de agravamento dos cenários externo e interno, incluindo a crise fiscal que ameaça a Europa, uma possível desaceleração na China e incertezas em relação à inflação doméstica.

“Ainda que o Brasil cresça a 3,5% em 2012 a uma inflação de 6% e com algumas incertezas no rumo da política econômica, trata-se um cenário muito melhor do que aquele que prevaleceria se o Brasil não tivesse resistência a questões externas”, disse o sócio da consultoria Tendências e ex-ministro da Fazenda, Maílson da Nóbrega.

“O Brasil terá um quadro muito melhor do que o dos países desenvolvidos”, acrescentou ele, durante o evento “Business Round Up – Perspectivas 2012” ocorrido nesta terça-feira (04/09) na Amcham-São Paulo.

Sobre as questões externas, a consultoria Tendências avalia três cenários para a crise da Grécia, sendo que o mais provável é a saída ordenada com redução substancial do endividamento, o que envolveria a renegociação da dívida grega em condições mais favoráveis e a consequente capitalização dos bancos credores pelos governos europeus.

As outras duas alternativas são o ajuste fiscal grego com aumento da carga tributária, o que tenderia a resultar em conflitos políticos e sociais, e uma saída desordenada, que seria a moratória.

Quanto à China, o ex-ministro disse que há controvérsias entre os maiores economistas sobre o ritmo de desenvolvimento da atividade nos próximos anos. Nas projeções mais pessimistas, a desaceleração resultaria em uma expansão mais modesta, de de 5% em 2012, e, nas visões mais favoráveis, de 9,5%.

Conforme a consultoria, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil aumentará 3,5% neste ano e 3,7% em 2012. “No próximo ano, haverá crescimento econômico com geração de emprego e aumento (de 5,7%) da massa salarial”, disse Nóbrega.

Para o ex-ministro, a inflação brasileira superará o teto da meta de 6,5% estabelecido pelo Banco Central, atingindo de 6,6% a 6,8% neste ano. Nóbrega estima que a inflação cairá para abaixo do teto em 2012, em torno de 6%.

Câmbio e Selic

As projeções para o câmbio neste ano estão complicadas devido às turbulências externas. “A única coisa que sabemos no regime de câmbio flutuante é que o câmbio flutua", brincou Nóbrega. "Está difícil prever, mas acredito que poderá fechar o ano no patamar de R$ 1,60”, assinalou.

Em relação à taxa Selic, Maílson da Nóbrega estima que o juro básico feche 2011 em 10,5% ao ano, caindo para 9% no final de 2012.

Alimentos

O otimismo predominou entre os setores presentes ao debate: alimentos, varejo, construção civil, tecnologia da informação e máquinas, e equipamentos.

Edmundo Klotz, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Alimentação (Abia), afirmou que o crescimento em sua área será baseado na pujança do mercado interno com um volume maior de produtos de mais valor agregado.

No âmbito das exportações, o setor está conseguindo incluir na pauta novos produtos de valor agregado e não vem sendo afetado pela crise no que se refere à venda de produtos básicos, que representam a maior parte das vendas externas.

“As commodities (agrícolas) ainda estão em alta e o decréscimo de preços ainda não ocorreu porque as reservas mundiais são baixas”, afirmou Klotz.

Para este ano, a Abia projeta um faturamento 17% maior que os R$ 330 bilhões de 2010, chegando a R$ 390 bilhões. Em 2012, se as projeções de ampliação das vendas em 7% se confirmarem, o setor terá alcançado um volume de R$ 417 bilhões.

Varejo

O varejo também é um dos setores que não devem sentir tanto os impactos da turbulência internacional. “O varejo depende de emprego e renda, e esses fatores permanecerão abundantes e contribuirão para o consumo em 2012”, disse Jorge Gonçalves, conselheiro do Instituto para o Desenvolvimento do Varejo (IDV).

O IDV representa as 40 maiores empresas varejistas do País, responsáveis por um faturamento anual de R$ 100 bilhões.

O País demonstrou capacidade de adaptação durante a crise de 2008, com a redução do Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) na linha branca e para material de construção.

Por isso, Gonçalves acredita no poder de reação da economia brasileira caso o cenário global se deteriore.

O crescimento médio do varejo, segundo cálculos, do IDV, ficará em torno de 7% neste ano. Para 2012, a expansão do segmento deve prosseguir nesse nível, de acordo com o instituto.

Alguns setores vêm apresentando ritmo mais forte. Entre eles, estão Informática e Comunicações, que crescem 20% ao ano, Móveis (15%) e Materiais de Construção (10% a 12%), citou Gonçalves.

Construção civil

O setor de construção vive um momento excepcional, disse Sérgio Watanabe, presidente do Sindicato das Indústrias da Construção Civil (SindusCon). “Em 2010, crescemos 13%, descontada a inflação do setor. Neste ano, devemos ter uma ampliação de 5%.”

Se a crise europeia não se agravar, o setor tende a apresentar taxas anuais de expansão de 4% a 4,5% nos próximos cinco anos, estima o representante do SindusCon.

Watanabe também comentou que o crédito imobiliário somou, até agosto, R$ 37 bilhões, aumento de 55% em relação ao mesmo período de 2010. “Um aumento do crédito habitacional na ordem de 30% a 40% não seria nada exagerado para o próximo ano”, comentou Maílson da Nóbrega, da consultoria Tendências.

TI

A confiança do setor de Tecnologia da Informação (TI) para 2012 vem do fato que, quando as empresas crescem, precisam de mais equipamentos e softwares.

Por sua vez, a base de usuários de tecnologia é alargada pela ascensão da classe C, de acordo com Antonio Gil, presidente da Associação Brasileira de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom).

“Estão aumentando as novas aplicações em diversas áreas, como educação, saúde, segurança e bancos”, indicou.

O mercado de TI, hoje, é responsável por um faturamento de US$ 85 bilhões, sendo apenas US$ 2,5 bilhões resultado de exportações. A perspectiva de crescimento para este ano é de 13% a 15% e, para 2012, espera-se algo na mesma faixa.

Máquinas e Equipamentos

Relutantemente, o setor de Máquinas e Equipamentos admite que o ano de 2012 será melhor que 2011.

“Apesar de alguns problemas que enfrentamos, cresceremos 6% em 2012. O futuro é bom, mas limitado. Para avançar mais, seriam necessárias modificações”, afirmou Márcio Ribaldo, diretor de Relações Institucionais da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

Ribaldo explicou que a indústria de transformação nacional é altamente sofisticada e responsável por máquinas e equipamentos inovadores e eficientes. Porém, a indústria perde competitividade dos portões para fora devido ao Custo Brasil, formado por altos impostos e juros, além de preços elevados dos insumos.

“A indústria de transformação é competitiva. O Brasil é que não é. Nossos produtos são 37% mais caros dos que os da Alemanha e 43% superiores aos dos Estados Unidos”, observou.

O diretor também criticou o fato de o País exportar commodites, como bauxita e minério de ferro, e importar seus derivados a custos elevados, como o alumínio e aço. “Devemos mudar nossa cultura e exportar produtos de maior valor agregado”, defendeu.

 

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