Singer prioriza novos consumidores e amplia relacionamento digital, revela executivo

por andre_inohara — publicado 17/02/2012 15h26, última modificação 17/02/2012 15h26
São Paulo – Mercado de máquinas de costura é promissor no interior do Nordeste.
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Com o crescimento da economia brasileira, em especial a classe C, a Singer do Brasil quer que suas máquinas de costura estejam mais presentes junto a públicos femininos que a utilizem não apenas como fonte de renda, mas também lazer. Para fortalecer o relacionamento e entender as necessidades dessas consumidoras, a Singer montou canais de comunicação nas redes sociais, de acordo com Fábio Narahara, gerente de Marketing Estratégico para a América Latina da Singer do Brasil.

Veja a entrevista de Narahara ao site da Amcham, concedida após ele participar do Seminário Perspectivas 2012, realizado na quinta-feira (16/02) pela Amcham-São Paulo.

Amcham: Quais as expectativas comerciais da Singer para este ano?
Fábio Narahara:
São positivas. Os anos pares são bons para a Singer. Em função das eleições (2012), Copa do Mundo (2014) e Olimpíadas (2016), a indústria de confecção acaba se movimentando [com a produção de artigos de vestuário]. Nosso mercado não tão é grande quanto o de eletrodomésticos devido ao fato de que a máquina de costura não é mais um artigo de primeira necessidade. Mas em algumas regiões do Brasil, como o interior do Nordeste, elas ainda são usadas como fonte de renda. De acordo com a pesquisa da McKinsey apresentada no evento da Amcham, se uma pessoa tiver aumento na renda, ela vai comprar vestuário, entre outras coisas, e isso tem impacto direto nos negócios da Singer.

Amcham: Qual o potencial do mercado de máquinas de costura?
Fábio Narahara:
Com o crescimento da economia e a mobilidade das classes sociais, as pessoas passam a consumir produtos em que antes nem pensavam. Nesse contexto, queremos que a máquina de costura também se encaixe como hobby. A costura é uma atividade que nunca vai sair de moda. E hoje as pessoas mais jovens estão se interessando por costura em parte devido a uma onda retrô, que consiste em realizar coisas mais manuais e um pouco menos online, inspiradas no que as mães e avós faziam na juventude.

Amcham: Como a Singer pretende atrair seu público?
Fábio Narahara:
Há a questão do relacionamento digital, algo que hoje é obrigatório porque as pessoas falam da sua marca nas redes sociais e isso independe de nossa vontade. Se a marca não estiver na internet, as pessoas vão falar dela provavelmente de forma negativa. Uma de nossas preocupações é marcar presença virtual. Temos monitorado os comentários feitos na internet, principalmente nas redes sociais, de forma a usar isso como meio de pesquisa.

Amcham: O que é possível extrair de informações por meio das redes sociais?
Fábio Narahara:
Há informações que não conseguimos com pesquisas tradicionais. Uma usuária em sua casa que está mexendo numa máquina e tendo dificuldade acaba desabafando na internet. Com isso, ela aprende novos recursos por meio dos feedbacks de pessoas que participam das mesmas comunidades. Nos meios de comunicação digital, presenciamos não apenas o retorno sobre produtos, mas principalmente sobre o atendimento. Com isso, conseguimos informações qualitativas importantes de atendimento dos nossos pontos autorizados e revendas.

Amcham: E como os relacionamentos digitais contribuem para o desenvolvimento de produtos?
Fábio Narahara:
No mundo online, a questão da antecipação de necessidades do cliente está presente e é uma forma para nos aproximarmos das consumidoras. Procuramos ouvir o que elas gostariam de ter em uma máquina, porque ela não é um produto barato. A máquina exige certo conhecimento em manuseio e deve ser de fácil aprendizado para que todos os recursos sejam usados em sua plenitude.

Amcham: Qual é o foco principal de clientes da Singer?
Fábio Narahara:
A grande parte é de profissionais autônomas. São as costureiras que trabalhavam em grandes confecções e que acabam saindo para fazer trabalhos terceirizados. Muitas confecções acabam terceirizando parte do seu serviço como parte da redução de custos e encargos de pessoal. Em uma fábrica de calças, por exemplo, tarefas como pregar bolsos, fazer revestimento lateral e barra são delegadas a essas autônomas.

Amcham: E quais as expectativas para o mercado B2B (de empresa para empresa)?
Fábio Narahara:
Temos uma estratégia para esse segmento, mas ele é mais complexo de atuar em função da falta de competitividade das nossas fábricas. Muitas das grandes confecções nacionais estão fechando e se tornando importadoras de produtos acabados da China. O governo tem adotado ações de análise antidumping para impor taxas para proteção do mercado.

Amcham: Como assim?
Fábio Narahara:
As roupas acabadas têm entrado no Brasil a preços que por vezes beiram o desonesto, o que afeta muito o B2B. É difícil vender máquinas para as grandes confecções. O segmento de moda rápida é o que ainda salva as poucas confecções no Brasil.

Amcham: Em que consiste esse segmento?
Fábio Narahara:
A mulher brasileira ainda tem o costume de comprar um modelo específico baseado no que viu na novela das 20h. Esse é um tipo de produto que ainda é confeccionado no Brasil, pois não há tempo hábil para ele ser produzido fora. O ciclo de produção e logística de peças específicas é muito grande, e a peça estaria fora de moda no momento em que estivesse pronta para ser comercializada nas lojas.

 

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