Smartphones e redes sociais são cada vez mais canais de venda

por andre_inohara — publicado 24/04/2013 15h04, última modificação 24/04/2013 15h04
São Paulo – Até 2020, uso de aparelhos móveis na América Latina deverá atingir 100%
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A paixão do brasileiro pelo uso da tecnologia de comunicação para se relacionar com os amigos e consumir foi percebida pelas empresas, que estão utilizando essa característica para conquistar clientes com promoções e prestação de serviços virtuais por meio de dispositivos móveis.

Essa foi uma das tendências identificadas na reunião do comitê de Marketing da Amcham – São Paulo que se reuniu nesta quarta-feira (24/04), com a participação da presidente (Managing Director) da TNS Brasil e dos executivos de marketing da 3M, Oakley e Walmart.

Exemplos disso são aplicativos móveis que indicam a existência das lojas preferidas do usuário na área geográfica onde ele se situa ou mesmo a sinalização de promoções comerciais como ferramentas comerciais usadas para cativar um consumidor que se torna mais crítico e digital.

“As oportunidades vêm de dois grandes comportamentos: relevância e vínculo emocional”, disse Beatriz Arbex, CEO da consultoria TNS Brasil. “No primeiro caso, se o conteúdo é bom, o consumidor está disposto a se relacionar com a empresa, e então os aplicativos e promoções funcionam”, acrescenta a executiva.

O vínculo emocional vem de experiências bem sucedidas de consumo no mundo virtual. “Quando as empresas conseguem estreitar relacionamento e gerar conexão com a marca, se cria fidelidade”, detalha Beatriz.

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Essas afirmações foram embasadas por duas pesquisas da TNS sobre mobilidade e consumo digital. A de mobilidade é de 2009 e está em fase de atualização, com previsão de divulgação no segundo semestre. A outra, sobre consumo, é de 2012.

Na América Latina, o uso de smartphones e outros dispositivos móveis como o tablet vai crescer nos próximos anos. De acordo com dados do estudo da TNS, apenas 23% do acesso à internet na região é feito por esses aparelhos móveis, mas a intenção de compra nos próximos seis meses é “altíssima”, revela a executiva.

“Eles são o veículo do futuro para a internet”, comenta ela. Ainda conforme a TNS, a venda desses dispositivos no Brasil avançou 165% no primeiro semestre de 2011, e a previsão é que a penetração desses aparelhos no continente atinja 100% em 2020.

Comportamento do consumidor

Com as tecnologias de comunicação, o consumidor é capaz de manifestar instantaneamente sua opinião a respeito de uma marca ou produto, influenciando não só outros compradores, mas as próprias empresas. “É uma relação bilateral onde a empresa comunica e o consumidor reage”, comenta Beatriz.

Nesse contexto, o estudo da TNS apontou que entender as expectativas atuais do consumidor é fundamental para construir uma boa relação. Uma delas é que o cliente usa a internet para ganhar tempo.

Cerca de 19% dos usuários optaram pelo meio para evitar filas, enquanto 15% disseram que ela se constitui em uma forma mais rápida de solucionar suas necessidades. “Há oportunidade para serviços de pagamento eletrônico e promoção de vendas”, exemplifica Beatriz.

A busca por experiências de consumo também é importante. Aproximadamente 34% dos consumidores participam de redes sociais para compartilhar conhecimento. Isso é importante para criar uma relação entre a empresa e o cliente.

“Quem trabalha com marketing, sabe da importância de se criar vínculo emocional com a marca”, comenta ela. Para Beatriz, o consumidor sente necessidade de experimentar e gerar vínculos, uma relação que se fortalece através de diversos canais de venda – online e físico.

Transparência e relevância no relacionamento também são importantes. Os brasileiros têm o costume de comparar preços e pesquisar produtos no ambiente digital, e as empresas precisam manter uma comunicação franca e sincera com o seu público.

E a relevância é definida pela utilidade do conteúdo ou aplicativo desenvolvido pela empresa. Para Beatriz, quem souber explorar essa característica conquistará muitos clientes. “Aplicativos de localização geográfica podem ser usados para achar uma loja próxima do cliente ou encontrar uma promoção comercial”, afirma ela.

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Case 3M

Para a fabricante de bens de consumo 3M, o mundo digital traz oportunidades de diversificar a comunicação com os consumidores. “Nosso maior desafio digital é atingir o público em geral”, disse Waldemir Macari, diretor de Marketing, Comunicação, eBusiness e Inteligência Competitiva da 3M.

Boa parte do esforço da empresa na internet é apresentar as qualidades técnicas dos produtos, que vão desde blocos de notas autocolantes a espumas para lavar louça.

Case Oakley

Para a confecção de moda jovem Oakley, é preciso estar presente na internet com serviços que comuniquem os atributos da marca. “É preciso ter claro com quem se quer falar, o que e como criar engajamento”, explica Roger Ahlgrimm, diretor de Marketing & Optics Business para a América Latina da Oakley.

Um dos aplicativos que a confecção criou é voltado para surfistas. O programa informa as condições climáticas das praias mais freqüentadas. E os clientes que se cadastram no serviço de mensagens móveis recebem comunicados na data do aniversário e promoções comerciais nesse período.

Case Walmart

A chegada do mundo virtual não ameaça o modelo tradicional de varejo, formado pelas lojas físicas. “Elas não vão acabar, mas há a tendência de migração de algumas categorias do físico para o virtual”, afirma Alexandre Primo Battaglini, diretor de marketing da Walmart.

Para ele, o sucesso de uma operação no mundo virtual depende de quatro fatores: planejamento, execução, tempo de resposta e acompanhamento.

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