Sua empresa é uma orquestra afinada?

publicado 22/05/2014 16h37, última modificação 22/05/2014 16h37
Campinas – Maestro Walter Lourenção mostrou no CEO Fórum as semelhanças em reger uma sinfônica e uma empresa
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A música tomou conta do Teatro de Paulínia, durante o CEO Fórum de Campinas. Cerca de 800 empresários bateram palmas e se emocionaram, acompanhando o maestro Walter Lourenção, filósofo e ex-regente do Teatro Municipal de São Paulo, que mostrou o que empresa e orquestra têm em comum. Em ambos os casos, o papel do líder – o CEO na empresa e o regente na orquestra – é fundamental.

Criador do projeto “Sinfonia Empresarial”, o maestro Walter Lourenção encerrou na última quarta-feira (21/05) à 13ª edição do CEO Fórum da Amcham-Campinas com o tema “A Arte de Reger Talentos”. No grand finale, ele liderou a platéia  numa inspirada interpretação do Hino Nacional, que levou boa parte do público às lágrimas.

Para Lourenção, existem diversas similaridades entre o cotidiano e o desempenho de um grupo musical e a mecânica vital das estruturas organizacionais. "Não existe orquestra, existe indivíduo, indivíduo e indivíduo. A magia é ter um conjunto de sons e escutar individualmente cada um deles", afirma ele.

Uma empresa deve funcionar como uma orquestra, segundo o maestro. Tudo deve começar com a afinação da equipe; depois passa pelo incentivo à cooperação e junção dos sons; apreciação dos talentos individuais; e finaliza com os aplausos ao trabalho executado. 

Numa parte de sua apresentação, o maestro chamou ao palco uma pessoa inexperiente para reger a orquestra e mostrou como a música era executada de maneira correta, mesmo sem a regência profissional. Para ele, um exemplo de ética, já que os músicos sempre vão tocar o que sabem, mesmo sem um comando experimentado.

Já o maestro tem a responsabilidade de criar um ambiente em que os funcionários se sintam seguros para trabalhar, também, entre si. “O maestro é aquela figura que tem o franchising de Deus na terra”, brinca Walter Lourenção, mas é preciso lembrar que "não se pode ficar o tempo todo endeusando o maestro. É a orquestra que faz a música."

O incentivo à inovação também é papel do regente, mas respeitando as limitações de cada talento. "Ninguém pode ficar inspirado com hora marcada. Cada músico deve começar a tocar, quando se sentir inspirado", aconselha. Ele mostrou também a importante de cada parte para a qualidade do conjunto.

Apresentação no CEO Fórum

No CEO Fórum da Amcham-Campinas, o maestro Lourenção regeu a emoção dos 800 executivos presentes, estabelecendo durante todo o tempo ligações entre o cotidiano da uma empresa e obras de grandes mestres.

Entre compassos de Carlos Gomes, Bizet e das marchas populares do americano John Souza, o público pode estabelecer as relações entre técnica, disciplina, ética, ousadia, liderança, equipe numa orquestra e dentro de uma empresa. “O estudo da música nas escolas seria de extrema importância para desenvolver reflexos importantes em qualquer profissão. A prática da música faz as pessoas se concentrarem em pequenos detalhes, sem ignorar o conjunto", finalizou ele. 

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